4 times na competição: retrato da precarização no futebol feminino

Falta de apoio estrutural e financeiro são os principais impasses

Por Fernanda Spínola do Passe Delas

O Campeonato Sergipano de Futebol Feminino de 2024, que deveria ser a reunião do esporte e das atletas, segue mergulhado em problemas estruturais que denunciam o descaso com a modalidade. Com apenas quatro times restantes, após as desistências de Lagarto F.C, Cotinguiba, Rosário, Estanciano e, mais recentemente, Barra F.C., a competição se vê fragilizada, com formato reduzido e o risco real de terminar antes do previsto caso mais uma equipe abandone o campeonato.

Os motivos que levam à desistência dessas equipes são claros e persistentes: a falta de apoio estrutural e financeiro. Não há como sustentar um esporte competitivo quando as jogadoras enfrentam condições tão adversas dentro e fora dos gramados. Chuteiras que muitas vezes são compradas pelos próprios técnicos ou presidentes de clubes. O transporte para deslocamentos entre cidades que, na maioria das vezes, é custeado pela própria equipe. O futebol feminino sergipano sobrevive apenas pelo amor.

Além disso, questões básicas como alimentação adequada e a infraestrutura mínima para treinos e jogos são constantemente ignoradas por alguns times. Enquanto lutam por espaço no esporte, essas mulheres precisam equilibrar estudo, trabalho e a dedicação aos gramados, enfrentando a invisibilidade e a desvalorização de um sistema que insiste em negligenciá-las.

A promessa de um futuro no futebol feminino ainda é vista com ceticismo, não por falta de talento, mas pela ausência de políticas e investimentos que possibilitem o crescimento da modalidade. Para muitas, ouvir que “futebol feminino não dá futuro” se tornou rotina. Mesmo assim, elas seguem jogando, resistindo, sonhando.

O cenário atual não é apenas um reflexo da falta de recursos; é também o resultado de uma visão limitada de vários dirigentes e instituições que deveriam liderar o avanço do futebol feminino. Quando meninas têm que depender de esforços individuais para sobreviver no esporte, é sinal de que o sistema está falhando de forma monumental.

A falta de médicos durante os jogos, ambulâncias, como vem acontecendo no Campeonato Sergipano de Futebol feminino é apenas mais um exemplo do desrespeito com essas meninas. Mudanças precisam acontecer, não apenas para garantir que a competição chegue ao fim, mas para dar às atletas condições dignas. Essas meninas já provaram que o amor pelo jogo é maior que qualquer obstáculo; agora, é hora do sistema provar que elas não estão sozinhas nessa luta.

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