Por Uilliam Pinheiro
A aprovação da Reforma da Previdência Municipal na Câmara de Aracaju, nesta quarta-feira (10), fortaleceu a imagem da prefeita Emília, que também ganhou pontos com os sindicatos e com a Câmara de Vereadores.
Em seus primeiros meses de gestão, Emília Corrêa tem enfrentado temas difíceis, como a rescisão do contrato com a Torre, responsável pela coleta de lixo, os desafios no transporte público, e agora, caiu em seu colo a delicada pauta da atualização da contribuição previdenciária — um tema espinhoso que, por si só, costuma desgastar a imagem de qualquer gestor. Essa discussão foi adiada desde 2019 pelo ex-prefeito Edvaldo Nogueira, que preferiu empurrá-la para debaixo do tapete, temendo o desgaste político e a perda de apoio eleitoral, especialmente entre os servidores — uma categoria na qual sua gestão não era bem avaliada. Emília, por sua vez, decidiu encarar o problema de frente, sem se esconder atrás de discursos fáceis.
Edvaldo optou por judicializar a questão, tentando evitar a realização da reforma. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o Município de Aracaju ajustasse suas alíquotas para garantir o Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP) — documento essencial para a liberação de verbas e convênios com o governo federal. Sem esse certificado, Aracaju corria risco de perder investimentos, obras e serviços, o que acabaria prejudicando diretamente a população.
Mesmo diante da impopularidade do tema, Emília compreendeu que a responsabilidade administrativa deve vir antes do cálculo eleitoral. “E a verdade é que a Reforma da Previdência foi dura com os trabalhadores. Fui contra quando o governo federal aprovou em 2019. Mas hoje, como prefeita, sou obrigada a cumprir a lei. Agora, chegou o momento de decidir com coragem. Não é simples. Mas é necessário”, escreveu a prefeita nas redes sociais.
Enviou o primeiro projeto de Reforma da Previdência à Câmara. O texto enfrentou resistência de sindicatos e vereadores, mas, em vez de impor a proposta de goela abaixo, a prefeita escolheu o caminho do diálogo — sentou à mesa com sindicatos e vereadores, ouviu as demandas, ajustou pontos sensíveis e construiu um novo texto com apoio até de quem inicialmente se opunha à proposta.
Ficou evidente a celebração do consenso e da construção coletiva. O presidente da Câmara Municipal de Aracaju, Ricardo Vasconcelos, destacou em plenário que o texto da Reforma da Previdência pode servir de referência nacional. Ele disse que talvez Aracaju apareça nas manchetes dos blogs nacionais como a cidade com a melhor reforma da Previdência do país — porque, em vez de perdas, os servidores podem sair com conquistas.
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Aracaju (Sepuma), Nivaldo Fernando, também celebrou o momento histórico e a disposição da gestão em manter o diálogo com as entidades representativas dos servidores. Em suas palavras, foi “um dia extraordinário na vida do servidor da Prefeitura de Aracaju, de todas as categorias, passadas, presentes e futuras, estejam no fundo financeiro ou no fundo previdenciário”. Ele completou dizendo que “é preciso registrar como foi importante esse processo de negociação”.
Setores da oposição tentaram receber os louros da conquista — tiveram sua contribuição na construção e aprovação do texto —, mas a principal protagonista dessa vitória foi a prefeita Emília Corrêa.
A aprovação da Reforma da Previdência revelou uma Emília gestora, com coragem para enfrentar temas complexos, disposta a dialogar com setores tradicionalmente excluídos das decisões, como os sindicatos, e a construir soluções em parceria com o Parlamento.
Ao transformar um tema potencialmente desgastante em um trunfo político, Emília Corrêa enviou também um recado ao ex-prefeito Edvaldo Nogueira — o de que não é adiando ou se escondendo que se faz gestão pública, mas sim com coragem e vontade política para enfrentar os reais problemas de Aracaju.





