A Polícia Civil de Sergipe deflagrou, nesta terça-feira, a Operação Pergaminho, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa investigada por tráfico de entorpecentes, homicídios e lavagem de dinheiro. A ação foi coordenada pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), com apoio da Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol), e resultou no cumprimento de 70 ordens judiciais em Sergipe e outros estados.
De acordo com a polícia, todos os mandados de prisão foram cumpridos e os alvos localizados, inclusive aqueles que estavam fora do estado. Durante a operação, foram apreendidos diversos materiais considerados relevantes para a investigação, como aparelhos celulares, notebooks, dinheiro em espécie, veículos — incluindo automóveis de luxo —, além de armas de fogo e munições. Também houve bloqueio de imóveis e contas bancárias.
Segundo o diretor do Cope, Dermival Eloi, a organização criminosa tinha base no conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão, mas atuava em toda a região metropolitana, além de outros municípios sergipanos e estados da federação.
As investigações tiveram início em dezembro de 2024, quando o líder do grupo ainda estava no sistema prisional. Dias depois, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu, mesmo estando em prisão domiciliar para tratamento de saúde. A fuga mobilizou forças de segurança em vários estados, passando por Sergipe, Bahia, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, até ser recapturado no Paraná, próximo à fronteira com o Paraguai. Atualmente, ele está custodiado no sistema penitenciário federal.
Ao longo de mais de um ano de investigação, foram realizados levantamentos de campo, análises cartorárias e medidas cautelares autorizadas pela Justiça. A apuração também contou com o apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), que contribuiu com informações obtidas em outra operação realizada em 2024.
As investigações identificaram 21 integrantes da organização criminosa e revelaram uma estrutura altamente organizada, com divisão de funções entre núcleos de liderança, financeiro, logístico e de comunicação, além de apoio externo.
Ainda conforme o delegado, o grupo contava com a participação de profissionais como advogada, médico e fisioterapeuta, que atuariam na fraude de documentos e laudos para beneficiar membros da organização com decisões judiciais, como a concessão de prisão domiciliar.
Também foi constatado o envolvimento de um agente público. Segundo a polícia, um policial civil fornecia informações sigilosas ao grupo e chegou a organizar escoltas para o líder da organização enquanto ele ainda estava em Sergipe.
As ordens judiciais foram cumpridas em cidades de Sergipe e de outros estados, como Bahia e Paraná, com a participação de diversas unidades policiais e órgãos de segurança.
A Operação Pergaminho integra a estratégia nacional de enfrentamento ao crime organizado, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, dentro da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas.
Por Redação O Caju Notícias com informações da SSP/SE
Foto: SSP/SE






