O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) prendeu temporariamente um homem investigado por feminicídio ocorrido no bairro Olaria, em Aracaju, na madrugada do último dia 20. Segundo a Polícia Civil, o suspeito teria manipulado emocionalmente a vítima e simulado um pacto de suicídio para praticar o crime.
De acordo com o delegado Kássio Viana, responsável pela investigação, o caso chegou inicialmente às autoridades como um suposto suicídio envolvendo um casal.
“Quando a equipe chegou ao local, a situação chamou atenção porque parecia uma tentativa de suicídio conjunta. Porém, o homem estava consciente, sem sinais compatíveis com ingestão de chumbinho, enquanto a mulher já estava sem vida”, explicou o delegado.
Ainda segundo a investigação, o suspeito afirmou que a vítima enfrentava um quadro depressivo e teria sugerido que os dois cometessem suicídio juntos. Ele relatou à polícia que preparou dois potes de sorvete contendo veneno e que ambos teriam ingerido a substância. No entanto, inconsistências no depoimento levantaram suspeitas dos investigadores.
“No relato dele, dizia que teria tomado o veneno e dormido logo em seguida, o que não é compatível com os efeitos normalmente observados em intoxicações por chumbinho. A partir daí, aprofundamos as diligências e passamos a ouvir testemunhas e analisar os celulares do casal”, detalhou Kássio Viana.
Durante as investigações, a polícia identificou que a vítima já demonstrava medo do investigado meses antes da morte. Conforme apurado, em novembro de 2025, ela chegou a pedir que amigos a acompanhassem por acreditar que poderia ser assassinada pelo companheiro.
Conversas extraídas dos celulares também indicaram, segundo a polícia, que o suspeito incentivava constantemente a vítima a cometer suicídio. Em uma das mensagens analisadas, ela questionava por que ele não tentava fazê-la desistir da ideia, mas o investigado continuava reforçando o suposto pacto.
De acordo com o delegado, há duas principais linhas de investigação: a de que a vítima ingeriu o sorvete acreditando que o suspeito também consumiria o veneno, ou a de que ela não sabia que a substância estava no alimento.
“Em qualquer uma das hipóteses, trata-se de homicídio. Não é auxílio ao suicídio. Houve uma execução planejada e direta”, ressaltou Kássio Viana.
A investigação aponta ainda que o suspeito não aceitava o fim do relacionamento e utilizava manipulação emocional para manter a vítima próxima.
Segundo a Polícia Civil, a mulher apresentava melhora no tratamento contra depressão e mantinha rotina social ativa nos dias anteriores à morte, o que também reforçou as suspeitas sobre a versão inicialmente apresentada pelo investigado.
O DHPP informou que já representou pela conversão da prisão temporária em preventiva. O inquérito será encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para adoção das medidas cabíveis.
Por Redação O Caju Notícias com informações da SSP/SE
Foto: SSP/SE






