Ao querer os méritos dos resultados da segurança pública para si, André David desvaloriza o trabalho dos demais profissionais das forças de segurança

O título de estado mais seguro do Nordeste não pode ser resultado da atuação de um único homem, mas sim, do trabalho de todas as forças de segurança do estado

Por Uilliam Pinheiro

Um dos principais debates políticos desta semana em Sergipe foi provocado pela forma como o delegado André David, pré-candidato ao Senado, tenta atribuir a si os méritos pelos resultados alcançados pela segurança pública do estado.

Sergipe é hoje o estado mais seguro do Nordeste e o terceiro mais seguro do Brasil. Uma conquista resultante do trabalho conjunto da Polícia Militar, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros, da Polícia Científica, dos demais profissionais da área e também da gestão do governador Fábio Mitidieri e do secretário João Eloy.

Ao reagir às falas do delegado, o governador afirmou: “Ele quer pegar carona na segurança pública do Estado. Três anos seguidos como o estado mais seguro do Nordeste. E aí ele vem: ‘nós’. Nós quem, cara pálida? Você era secretário municipal de Aracaju havia um ano. Da Guarda Municipal. E você quer dizer que a segurança pública de Sergipe foi feita por você?”.

André David respondeu: “Se fizer uma enquete agora, quem deu mais resultado na segurança pública: fui eu ou foi o governador no Estado de Sergipe? Pelo amor de Deus, eu peguei na massa. Eu tenho marca de sangue”.

É justamente aí que está o problema. Ninguém nega a contribuição do delegado ao longo de sua carreira. Mas querer se colocar como o herói do estado, em um culto à personalidade, desrespeita todos os profissionais que compõem as forças de segurança. É passar a impressão de que os avanços da segurança pública têm um único responsável, diminuindo o trabalho de milhares de profissionais que atuam diariamente para garantir esses resultados. Segurança pública não se faz sozinho.

Além de todas as forças de segurança, é preciso que haja um governador que priorize a área por meio de investimentos, valorização dos profissionais e aquisição de equipamentos, oferecendo as condições necessárias para que os agentes possam atuar na linha de frente no combate à criminalidade.

Portanto, o título de estado mais seguro do Nordeste não pode ser resultado da atuação de um único homem, como o delegado André David procura transmitir, ainda que de forma subliminar em suas falas e publicações. Trata-se do resultado de toda uma estrutura, liderada por um secretário de Estado da Segurança Pública e por um governador.

Querer transformar uma conquista coletiva em discurso de campanha pode até render visibilidade política e engajamento nas redes sociais ao delegado André David, mas acaba sendo um desrespeito com todos aqueles que também contribuíram para fazer de Sergipe uma referência em segurança pública.

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