Por Victor Gabriel com revisão de Uilliam Pinheiro
A política raramente é feita apenas de discursos de apoio. No fim das contas, é o dinheiro, a estrutura e a prioridade dada por cada partido que revelam quem realmente está no centro de um projeto eleitoral. O episódio envolvendo Ricardo Marques expõe uma situação difícil de ignorar: enquanto os demais candidatos do PL em Sergipe receberão recursos do Fundo Eleitoral, o candidato ao Governo ficará de fora.
A justificativa oficial é que Ricardo já sabia disso há cerca de três meses e, mesmo assim, decidiu manter sua candidatura. Mas é justamente aí que começa a parte mais incômoda dessa história. Ricardo parece ter acreditado mais nas palavras e vídeos de apoio do que nos sinais concretos de prioridade.
Porque uma coisa é dizer que apoia uma candidatura. Outra, completamente diferente, é colocar dinheiro, estrutura e força política à disposição dela. Enquanto Ricardo terá que se contentar com as migalhas ofertadas por meio do fundo partidário, que Rodrigo não perde a oportunidade de “passar na cara”, os demais candidatos do partido terão acesso ao Fundo Eleitoral. E isso produz uma pergunta inevitável: onde está, de fato, a prioridade do PL?
É nítido que o projeto do PL em Sergipe foi construído para o projeto de eleição de Rodrigo Valadares, presidente estadual da legenda, e Moana Valadares, sua esposa. Basta ver o valor recebido por eles de fundo eleitoral. Por outro lado, Ricardo Marques que disputa justamente o cargo mais alto da eleição estadual é colocado na condição de exceção.
É difícil não enxergar nisso uma hierarquia de prioridades. Não se trata de afirmar que Rodrigo não apoia Ricardo. A própria nota diz o contrário. O ponto é outro: na política, apoio tem níveis.
Existe o apoio para não abandonar um aliado. Existe o apoio para manter uma candidatura viva. E existe o apoio de quem é tratado como prioridade estratégica.
Talvez o maior erro de Ricardo tenha sido a ingenuidade política. Ele pode ter acreditado que ser o candidato ao Governo significava automaticamente ser uma prioridade do partido. Não significa.
Na política, candidatura não é sinônimo de prioridade. Apoio verbal não é estrutura. Fotografia ao lado de dirigentes não é financiamento. Quando chega a hora de dividir os recursos, as escolhas ficam muito mais claras.
Ricardo Marques pode até continuar candidato. Mas a mensagem para o eleitorado já foi transmitida, se no próprio PL o candidato ao Governo não é prioridade, como será para os sergipanos? E isso faz da campanha de Ricardo um projeto natimorto.





