Por Victor Gabriel
O senador reeleito por Sergipe Alessandro Vieira (MDB) criticou, nesta quarta-feira (28), a carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL), na qual o candidato derrotado na eleição presidencial se autodeclara “presidente eleito”. Durante pronunciamento em sessão do Senado, Alessandro repudiou o conteúdo da manifestação e defendeu o respeito ao resultado das urnas.
Ao discursar, o parlamentar afirmou que os representantes eleitos pelo voto popular têm a obrigação de zelar pela democracia. Ele também cobrou uma reação às declarações de Flávio e defendeu medidas para recuperar a credibilidade da Justiça brasileira.
“Nosso colega senador, candidato derrotado à Presidência da República, publicou uma nota oficial dizendo que é presidente eleito. Eu tenho impressão, presidente Davi (Alcolumbre), que todos nós que somos eleitos pelo voto popular, representamos o Brasil, os brasileiros, e mais do que isso temos a obrigação de zelar pela democracia, precisamos fazer duas coisas urgentes. A primeira delas é a repulsa a esse tipo de manifestação. Perderam nas urnas. Mas a segunda, urgentíssima, Presidente Davi, falamos sobre isso há oito anos, precisamos resgatar a credibilidade da justiça brasileira”, afirmou.
Alessandro também avaliou que esse tipo de manifestação pode prejudicar os interesses do país ao dar espaço a discursos contrários ao Brasil no exterior. O senador ressaltou que os resultados eleitorais foram reconhecidos pelos envolvidos, apesar dos questionamentos apresentados.
“Esse tipo de providência que o candidato derrotado à Presidência adota, coloca em risco os interesses do Brasil, dos brasileiros, porque dá vazão a discursos no exterior, que são contrários ao interesse do nosso Brasil. […] As eleições se encerraram, os presidentes dos partidos reconheceram o resultado, todos os envolvidos reconheceram o resultado, questionando e é direito, mas reconhecendo o resultado que as urnas manifestaram por uma diferença de mais de 4 milhões de votos”, declarou.
Ao concluir o pronunciamento, o senador reconheceu que o país enfrenta problemas no funcionamento das instituições, mas ressaltou a importância da liberdade de manifestação e da participação democrática.
“Convenhamos vivemos em uma democracia, torta, mal conduzida, injusta, mas democracia. Eu posso aqui falar mal do ministro, o ministro está lá fazendo a má conduta há anos, mas eu posso manifestar. Todos que estão aqui presentes se manifestam diuturnamente, participaram das eleições, venceram eleições, e a gente tem que enfrentar isso, presidente, uma parte dessa responsabilidade está sobre os ombros de Vossa Excelência”, afirmou, dirigindo-se ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.





