As incoerências do discurso de Valmir ao fazer promessas que dificilmente serão cumpridas

A disputa será entre um projeto, liderado por Fábio Mitidieri, que apresentará os resultados e as entregas, e, de outro lado, um pré-candidato que apresenta um discurso de promessas sem explicar como pretende cumpri-las

Por Uilliam Pinheiro

O pré-candidato ao Governo de Sergipe, Valmir de Francisquinho (Republicanos), tem adotado uma estratégia populista ao fazer um discurso repleto de promessas que a população deseja ouvir — prometendo o céu e a terra —, mas que dificilmente conseguirá colocar em prática.

Durante a convenção partidária que homologou sua candidatura ao Governo de Sergipe, realizada na última segunda-feira (20), Valmir afirmou que irá “reestatizar” a DESO. Entretanto, a empresa estatal não foi privatizada, mas teve parte de seus serviços concedidos à Iguá Sergipe por um período de 30 anos. Dessa forma, para cumprir essa promessa, seria necessário romper um contrato vigente, o que geraria insegurança jurídica e afastaria investidores interessados em aplicar recursos no estado. Além disso, o Estado de Sergipe provavelmente teria de pagar uma indenização bilionária à Iguá pelo descumprimento do contrato.

Cabe ressaltar que o que os sergipanos desejam não é o retorno da DESO ao modelo anterior, mas sim a solução definitiva para os problemas de abastecimento de água. Afinal, quando a DESO era a única responsável pelos serviços, esse problema já existia. Portanto, não será a simples “reestatização” que resolverá essa questão.

Outro compromisso anunciado por Valmir é o fim dos radares nas rodovias. No entanto, esses equipamentos desempenham um papel importante na redução de acidentes de trânsito provocados pelo excesso de velocidade. Sua retirada beneficia os motoristas imprudentes e prejudica aqueles que respeitam as leis de trânsito, tornando-os mais vulneráveis a condutores irresponsáveis. Além disso, a gestão da prefeita Emília Corrêa, sua principal aliada política, também instalou diversos radares na capital. Apesar disso, o pré-candidato permaneceu em silêncio em relação à medida adotada por sua aliada, evidenciando uma incoerência em seu discurso: para os aliados, silêncio; para os adversários, as críticas mais contundentes.

O ex-prefeito de Itabaiana também anunciou que pretende adquirir 100 ônibus elétricos para a Região Metropolitana de Aracaju – proposta claramente visando “pegar carona na pauta”, mas que dificilmente seria cumprida, e por essa razão, não explicou de que forma pretende viabilizar financeiramente essa iniciativa. Como parâmetro, a Prefeitura de Aracaju, administrada por Emília Corrêa, precisou contratar um empréstimo de R$ 161 milhões para adquirir 30 ônibus elétricos. Mantida essa proporção, a compra de 100 veículos exigiria um financiamento de aproximadamente R$ 536 milhões, o que é um valor exorbitante para apenas 100 ônibus elétricos. O pior é que Valmir propaga que o Estado está endividado, mas, ao mesmo tempo em que faz essa afirmação, anuncia a compra de 100 ônibus elétricos, cuja aquisição custaria mais de R$ 530 milhões. Logo, fica evidente a incoerência do discurso: promete durante a campanha e, após a eleição, poderá não cumprir as promessas, apresentando qualquer justificativa e, de preferência, transferindo a responsabilidade para terceiros.

Outra contradição está na promessa de implantar o pagamento da periculosidade aos policiais militares já no primeiro ano de governo. Ao mesmo tempo, o pré-candidato insiste em afirmar que o Estado se encontra altamente endividado. Trata-se de um discurso que levanta questionamentos sobre a viabilidade financeira das propostas apresentadas e reforça a percepção de que o único objetivo é a obtenção do voto com falsas promessas tendo ciência de que não honrará com elas.

A eleição está polarizada entre o atual governador, Fábio Mitidieri, e o ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho. A disputa será entre um projeto, liderado por Fábio Mitidieri, que apresentará os resultados e as entregas realizadas ao longo dos últimos quatro anos de governo, e, de outro lado, um pré-candidato que apresenta um discurso de terra arrasada sobre Sergipe e faz promessas sem explicar como pretende cumpri-las. Caberá aos sergipanos decidir qual desses projetos desejam para os próximos quatro anos.

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