Por Uilliam Pinheiro
A influência do embate presidencial sobre as disputas estaduais para o Senado é constante, especialmente nas últimas eleições. No cenário polarizado entre o lulismo e o bolsonarismo, os pré-candidatos alinhados a esses movimentos tendem a ser favorecidos na corrida eleitoral.
Para às eleições de 2026, a tendência de polarização deve se manter. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue como principal referência da esquerda e buscará à reeleição. Do outro, o bolsonarismo deve ser representado pelo senador Flávio Bolsonaro, diante da inelegibilidade e prisão do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Esse embate nacional tende a repercutir diretamente nas disputas estaduais.
Em Sergipe, o cenário favorece o campo lulista. Segundo levantamentos recentes do Instituto França de Pesquisa, Lula mantém forte preferência entre o eleitorado sergipano. Nesse contexto, o senador Rogério Carvalho desponta como potencial beneficiário e deve, novamente, adotar o mote de “senador de Lula” para captar a transferência de voto.
Embora não seja o único nome do campo de esquerda, o petista aparece como o principal capaz de absorver a transferência de votos do presidente Lula. Outros pré-candidatos desse campo incluem o ex-prefeito Edvaldo Nogueira, do PDT, e o deputado Iran Barbosa, que também dialogam com o eleitorado progressista, mas com menor potencial de nacionalização da campanha.
No campo da direita, o cenário é mais congestionado. Pelo menos seis pré-candidatos disputam o mesmo eleitorado, o que pode dificultar a consolidação de uma candidatura competitiva.
Entre os nomes mais alinhados ao bolsonarismo, destaca-se a disputa direta entre Rodrigo Valadares e o delegado André David. Ambos devem protagonizar um embate intenso pela preferência desse eleitorado.
A entrada de André David na corrida ao Senado alterou a estratégia inicial de Valadares, que contava com menor concorrência no nicho bolsonarista. Desde então, o deputado tem questionado a identidade ideológica do adversário, afirmando que “André David não é bolsonarista, nunca defendeu as pautas da direita e não tem condições de pedir impeachment de ministros do STF”. Em resposta, o delegado rebateu dizendo que “nunca fez o L e é lobo, não melancia”, em uma indireta a Rodrigo Valadares.
Além deles, o Coronel Rocha também se posiciona nesse espectro mais alinhado à direita ideológica, mas tem como ponto desfavorável o baixo nível de conhecimento por parte do eleitorado pelo eleitorado, além de uma falta de assertividade na sua comunicação política digital.
Já o senador Alessandro Vieira tende a buscar apoio em uma faixa mais ampla do eleitorado, dialogando com o centro e segmentos tanto da direita quanto da esquerda. Sua estratégia deve enfatizar a atuação parlamentar e os resultados obtidos para o estado ao longo do mandato.
Por sua vez, André Moura e Eduardo Amorim devem seguir uma linha mais tradicional de campanha, baseada na articulação com prefeitos e lideranças políticas locais, além de um discurso voltado ao eleitorado de direita. André Moura, em especial, tem adotado pautas relacionadas à segurança pública, buscando dialogar com esse segmento do eleitorado por meio de propostas mais rigorosas na área.
Diante desse quadro, a disputa pelo Senado em Sergipe promete ser uma das mais competitivas de 2026. Ainda assim, o cenário inicial indica vantagem para Rogério Carvalho, especialmente pela possibilidade de unificação do eleitorado de esquerda em torno de sua candidatura. Outro fator que pode fortalecer a pré-candidatura do petista é a perspectiva de aliança entre o presidente Lula e o governador Fábio Mitidieri. Caso se concretize, essa articulação ampliaria a base de apoio político do senador, incluindo prefeitos e lideranças locais, consolidando ainda mais sua competitividade no pleito.






