Um detalhe presente no material de divulgação do Comitê Central de Rodrigo Valadares voltou a chamar atenção. A comunicação destaca nomes como Rodrigo Valadares, Moana Valadares e Flávio Bolsonaro, mas não há qualquer referência a Ricardo Marques, candidato do partido ao Governo de Sergipe.
Na imagem do comitê, Rodrigo Valadares aparece como candidato ao Senado, com o número 222, enquanto Moana Valadares é apresentada como candidata a deputada federal, com o número 2222. O material também destaca Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PL, com o número 22, e a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ricardo Marques, entretanto, não aparece no painel, nem seu nome ou número eleitoral é destacado.
O episódio ocorre em meio a uma discussão que já vinha sendo exposta publicamente dentro do próprio grupo. Durante a convenção do PL, Rodrigo Valadares afirmou que a prioridade do partido estaria concentrada na eleição para o Congresso Nacional, especialmente Senado e Câmara
A repercussão chegou a provocar reação da então candidata a vice-governadora Pastora Salete, que posteriormente deixou a chapa de Ricardo Marques. Em entrevista, ela afirmou que não havia percebido “prioridade” nem “unidade interna” no projeto e relacionou sua decisão à declaração feita durante a convenção.
É justamente nesse contexto que o material do Comitê Central chama atenção. Se Ricardo Marques integra oficialmente a chapa majoritária do PL e é apresentado pelo próprio partido como candidato ao Governo, sua ausência em uma peça que reúne os principais nomes do grupo levanta questionamentos sobre o espaço efetivamente reservado à candidatura dentro da estrutura política comandada por Rodrigo Valadares.
Por outro lado, a ausência de Ricardo no painel, isoladamente, não permite concluir que o PL tenha abandonado ou retirado apoio à candidatura. O candidato esteve, inclusive, presente nas atividades realizadas em Sergipe no último dia 22, durante a carreata e a inauguração do comitê de campanha de Flávio Bolsonaro.
Ainda assim, politicamente, a fotografia é significativa. Em uma campanha em que imagem, exposição e associação entre candidaturas têm papel central, a escolha de quais nomes aparecem em um material identificado como “Comitê Central” pode ser interpretada como um indicativo das prioridades de comunicação e mobilização do grupo.





