Emília Corrêa transforma crise da água em oportunidade política

A postura proativa da prefeita contrasta com o desgaste enfrentado pelo governo Mitidieri, apontado pela população como responsável pela lentidão na condução da crise

Por Uilliam Pinheiro

A crise hídrica que atingiu a Grande Aracaju desde a última sexta-feira (12) tornou-se também um palco de disputas políticas em segundo plano. O rompimento da adutora do São Francisco, no município de Capela, deixou 900 mil pessoas sem abastecimento de água por mais de 72 horas.

Com a demora do governo de Fábio Mitidieri em anunciar medidas emergenciais ou comunicar melhor as ações adotadas, a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (PL), se antecipou e mobilizou caminhões-pipa para abastecer bairros da capital. A iniciativa forçou o Governo de Sergipe a adotar medida semelhante. No entanto, como a ação da prefeita foi melhor comunicada e amplamente divulgada por sua equipe nas redes sociais, a imagem de Emília se consolidou como a de uma gestora que estava na linha de frente, buscando dar uma resposta rápida diante da dificuldade.

Posteriormente, a gestora informou ter conversado com o governador Fábio Mitidieri (PSD), defendendo a união de esforços para minimizar os efeitos da falta de água. Na segunda-feira à noite, após a conclusão do reparo da adutora, Emília voltou a se pronunciar por meio de suas redes sociais. Desta vez, cobrou da concessionária Iguá Sergipe e da Agência Reguladora de Serviços Públicos (Agrese) a revisão das contas de água, solicitando desconto para os consumidores que ficaram sem fornecimento durante o período.

“A população ficou sem água por mais de 72 horas em 42 bairros de nossa cidade. Por isso, já enviei ofício à Iguá Sergipe e à Agrese solicitando que seja realizado, em caráter emergencial, um estudo para aplicar redução temporária ou isenção parcial da tarifa de água aos consumidores diretamente afetados pelo desabastecimento. Essa medida tem um objetivo simples e justo: compensar a população pelos prejuízos e transtornos causados pela interrupção prolongada de um serviço essencial”, declarou Emília.

Caso o Governo de Sergipe, por meio da Agrese, ou a Iguá Sergipe aceite a sugestão da prefeita, mais uma vez Emília sairá com os louros, enquanto a população terá a impressão de que o governador só agiu motivado por ela. Se a sugestão não for aceita, prevalecerá a imagem de que o Governo de Sergipe é insensível à população que passou um longo período sem água e, mesmo assim, precisará pagar a conta cheia.

A postura proativa da prefeita contrasta com o desgaste político enfrentado pelo governador Mitidieri, apontado por parte da população como responsável pela lentidão na condução da crise. Nos bastidores, avalia-se que a atuação de Emília Corrêa reforça sua estratégia de se posicionar como gestora próxima às demandas da população, ao mesmo tempo em que enfraquece a imagem do governo estadual, que enfrenta dificuldades de comunicação com as classes mais baixas.

Com as eleições de 2026 no horizonte, a crise de desabastecimento de água deste fim de semana agravou o desgaste da imagem do governador, enquanto Emília Corrêa ampliou seu capital político ao adotar movimentações e ações certeiras durante a crise hídrica.

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