Enquanto o senador delegado investiga o STF, o outro pré-candidato é convocado para explicar fraudes no INSS – as diferenças de perfis entre Alessandro Vieira e André Moura

Contrastes de postura e trajetória colocam em lados opostos dois nomes da política sergipana

Por Uilliam Pinheiro

A política é feita de escolhas — e, sobretudo, de perfis. Em Sergipe, a chapa governista, que implodiu essa semana, apresentava um contraste entre o senador Alessandro Vieira (MDB) e o ex-deputado federal André Moura (União Brasil), evidenciando dois perfis distintos na vida pública. De um lado, um senador delegado que “vai pra cima” das atuações suspeitas de ministros do STF; de outro lado, um político tradicional chamado a prestar esclarecimentos numa comissão de inquérito que envolve um dos maiores esquemas de corrupção do país.

Como relator da CPI do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira tem conduzido apurações que alcançam ministros do Supremo Tribunal Federal, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, no caso do Banco Master. Trata-se de uma atuação que exige não ter “rabo preso” e firmeza para enfrentar ministros que se acham “acima da lei”. Ao avançar em medidas investigativas, como a quebra do sigilo bancário e telefônico da empresa ligada aos irmão do ministro Dias Toffoli, o senador reforça a imagem de quem não teme o embate quando entende que há fatos a esclarecer.

No mesmo contexto político, André Moura foi convocado para depor na CPMI do INSS, após requerimento apresentado pelo deputado Rogério Correia, do PT de Minas Gerais ser aprovado na CPMI do INSS nesta quinta-feira (26). A comissão investiga um amplo esquema de fraudes no INSS. Em nota, Moura nega qualquer envolvimento e classifica a convocação como manobra eleitoreira.

Os perfis de Alessandro e André Moura são bem antagônicos – enquanto um atua investigando, o outro se vê na condição de esclarecer sua ligação com possíveis envolvidos em esquema de corrupção. Logo, era incompatível ter os dois numa mesma chapa e o governador compreendeu isso, repensou e fez a mudança na chapa.

Há, hoje, um sentimento crescente em parte da sociedade de que é preciso haver parlamentares dispostos a confrontar possíveis excessos e garantir equilíbrio entre os Poderes, principalmente contra alguns abusos de ministros do STF. Nesse cenário, qual perfil encaixaria nesse apelo popular: a atuação do senador delegado ou o atuação do ex-deputado federal que precisa ser explicar suas movimentações e seu passado? Caberá o eleitor definir.

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