Entenda o PL Antifacção — projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados que amplia o combate às facções criminosas

O projeto seguirá para votação no Senado e o relator será o Senador Alessandro Vieira

Por Victor Gabriel

A PL Antifacção, aprovada ontem pela Câmara dos Deputados, promete reformular profundamente o combate ao crime organizado no Brasil. O texto segue agora para o Senado Federal, onde será relatado pelo senador Alessandro Vieira (SE–MDB).

Em entrevista ao Jornal da Fan, do Portal Fan F1, dada nesta quarta-feira (19), o relator da PL afirma que ações de combate ao crime organizado e delitos como lavagem de dinheiro deve ser intensificado: “A gente tem que, cada vez mais, endurecer o combate ao crime organizado e o combate ao crime de lavagem de dinheiro. Pois, quando fazemos isso, estaremos preservando o dinheiro do povo, que é para saúde, para a segurança, para a infraestrutura e que é drenado pela corrupção”.

O projeto cria novos tipos penais, amplia instrumentos de investigação, endurece penas e estabelece regras mais rígidas para líderes de facções, milícias e organizações criminosas.

Penas mais duras para crimes ligados a facções ou milícias

Um dos eixos centrais do projeto é o endurecimento das penas quando houver vínculo com organizações criminosas. Os novas punições são:

  • Homicídio: 20 a 40 anos
  • Lesão corporal seguida de morte: 20 a 40 anos
  • Sequestro: 12 a 20 anos
  • Roubo: 12 a 30 anos
  • Latrocínio: 20 a 40 anos
  • Extorsão: pena triplicada
  • Extorsão mediante sequestro: aumento de 2/3


O objetivo é aumentar o risco para integrantes de facções envolvidos em crimes violentos, dificultando a atuação de grupos que financiam suas estruturas através de sequestros, extorsões e roubos.

Novos crimes e progressão mais rígida

A PL tipifica condutas até então pulverizadas na legislação, criando crimes específicos como:

  • novo cangaço,
  • domínio territorial,
  • uso de explosivos ou drones,
  • ataques a infraestruturas públicas e privadas.


A progressão de regime também fica mais rígida: em alguns crimes ligados a facções, o réu poderá ter de cumprir 70% a 85% da pena antes de progredir.

Além disso, chefes de facções serão automaticamente transferidos para presídios federais de segurança máxima, com maior isolamento e controle.

Bloqueio de bens e combate ao financiamento das facções

O projeto amplia o foco no controle financeiro das organizações criminosas, permitindo:

  • bloqueio imediato de bens — dinheiro, imóveis, empresas, criptomoedas — já na fase de investigação;
  • suspensão ou proibição de atividades econômicas usadas para ocultação de patrimônio;
  • destinação de valores apreendidos à União, estados e Distrito Federal.


Juízes poderão determinar essas medidas de ofício ou mediante pedido do Ministério Público.

Intervenção em empresas envolvidas

A proposta também permite intervenção judicial em empresas suspeitas de servirem a facções. Nesses casos, o juiz poderá afastar sócios e nomear um interventor com poderes para:

  • suspender contratos suspeitos;
  • romper vínculos com investigados;
  • conduzir auditorias;
  • separar bens lícitos e ilícitos;
  • propor saneamento ou liquidação;
  • destinar recursos para conta judicial fiscalizada.


O objetivo é impedir que empresas sirvam de fachada para lavagem de dinheiro ou logística criminosa.

Investigações ampliadas e maior rigor judicial

A PL prevê outras medidas de reforço investigativo:

  • monitoramento de parlatórios (conversas entre presos e advogados), apenas em casos excepcionais e mediante decisão judicial;
  • sigilo absoluto sobre medidas cautelares até sua execução;
  • responsabilização de agentes públicos que descumprirem determinações judiciais, sob supervisão do CNJ e do CNMP.


Com a chegada do projeto ao Senado, caberá a Alessandro Vieira consolidar um parecer técnico. O senador tem defendido há anos o fortalecimento do combate às facções criminosas, da inteligência policial e melhorias do sistema prisional, sendo, inclusive, relator da CPI do Crime Organizado, que é destinada a investigar a estruturação, expansão e atuação do crime organizado no país, com foco em facções e milícias

Com informações da CNN Brasil
Foto: Republicanos 10

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