Opinião – Entre blindagens e obras faraônicas, enquanto a gente paga a conta

Texto assinado pela arquiteta Ana Luíza Liborio

Por Ana Luíza Liborio [*]

Em 2018 sonhei ser deputada federal para tentar colocar ordem naquele terreiro que está destruindo a democracia brasileira.

Derrubam presidentes, não deixam ninguém governar, não aprovam as pautas que nos interessam, votam ao arrepio da lei e em causa própria. Agora querem virar covil de bandidos?

Vivem numa regalia de dar dó ao povão que ergue a nação: carros pretos, 20 assessores cada, viagens…, casas em lago, hospitais de primeira classe etc e a gente ralando pra sustentar essa casta, isso a um passo de virarmos um narco país.

Além de todos os privilégios a que tem direito, estão querendo torrar o dinheiro do país que estados e municípios ficam devendo por gerações, sem dar explicação a ninguém.

É isso que querem nossas excelências? Hoje são especialistas em torrar dinheiro com obras desnecessárias.

Em Lagarto, uma administração que desconhece nossa história fez obra que derrubou as antigas figueiras da praça Filomeno Hora, uma das paisagens mais características da cidade e, não contente, construiu um pergolado arrodeando e roubando a cena do cruzeiro da capelinha no Largo do Grupo Escolar Silvio Romero.

Aqui em Aracaju, essa obra da Orla na antiga Sarney em vez de demolir como recomendava o Judiciário Federal, agora está mais construída do que nunca? A ponto de vedar a visão do mar, uma das características marcantes da paisagem local.

Obras faraônicas e megalomaníacas de concreto armado, como os elevados que cruzam Salvador? Obras que o Rio está demolindo?

Estão destruindo nossa urbanidade com espaços inóspitos desenhados para carros e excludentes aos pedestres jogados em comboios para as periferias.

Isso sob a complacência de vereadores que não conseguem aprovar um Plano Diretor?

É de dar dó. E advinha quem paga a conta? O suado povo brasileiro que pega no batente enquanto eles vivem nababescamente!

“Tá vendo aquele edifício moço? Eu também trabalhei lá! ”

Na minha opinião, familiares de políticos teriam como obrigação, ao assumir o cargo, estudar em escolas públicas, frequentar hospitais públicos e andar de transporte público como fazem os políticos civilizados. Em um segundo virariam espaços de excelência. Chega de farra com os nossos impostos!

Desabafo de quem é do ramo, estuda as cidades com uma visão romântica onde se anda no bairro, os vizinhos se conhecem e ninguém corre o risco de andar a pé.

Aracaju da minha adolescência era um paraíso assim. Só tive três filhos, porque foi aqui. No Rio ou São Paulo não teria como…

Por isso, como cidadã recomendo todos na rua esse domingo. Vamos dizer não! Essa pauta não é de esquerda ou de direita. É de quem paga a conta!

[*] Arquiteta especialista em Planejamento Urbano, mestra em Restauro pela UFBA e curso MBA em Inteligência Artificial pela Exame

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