Opinião – Esforço pela genética para mais leite no balde

Texto assinado pelo prefeito de Muribeca, Mário de Sandra

Por Mário de Sandra [*]
Articulista que escreve às sextas-feiras

O Estado de Sergipe figura em posição consolidada na cadeia produtiva do Leite, além de ter a décima maior bacia produtora do país, em Poço Redondo, também ocupa o ponto mais alto do Nordeste em capacidade industrial de reservação e beneficiamento leiteiro.

Os esforços do Poder Público convalidam o cenário animador com boa política tributária e ações de estímulo ao setor agropecuário fazendo com que grandes agroindústrias optem por Sergipe quando formatam os seus respectivos planos de alocação, são os casos recentes, por exemplo, da Piracanjuba em Nossa Senhora da Glória e a DAMARE no município de Muribeca.[1]

A produção no Estado de Sergipe no primeiro trimestre de 2024 alcançou 118,4 milhões de litros de leite, demonstrando a pujança no beneficiamento do produto e o vasto horizonte de possibilidades produtivas. Nesse ponto, subsiste o entendimento de que tamanha demanda deve estimular a devida qualificação e ampliação das rotinas de produção no campo e, considerando o perfil de pequenos e médios produtores, constituir tecnologia e protocolos de ponta para maior produtividade e consequente avanço das propriedades.

Nesse ponto, surge como essencial a massificação de políticas públicas e associativistas relacionadas ao melhoramento genético como ferramenta de gestão de gado, incluindo genética de maior aptidão produtiva ao nosso clima e a inclusão dos pequenos e médios produtores em um grande ecossistema de estímulo à cadeia produtiva do leite.

Em Muribeca, o programa de melhoramento genético foi colocado em prática no Arranjo Produtivo do Leite e em parceria com a Associação Brasileira de Criadores de GIR Leiteiro (ABCGIL) utilizando-se do já consolidado teste de progênie de touros de última geração, objetivando a indução de sêmen de touros jovens no gado do município para alcance de uma constância produtiva que eleve a competitividade do produto local.

Mas a inseminação artificial em tempo fixo que será utilizada no Município de Muribeca deve ser apenas a porta de entrada, visto que o universo de produção genética é muito mais amplo e pode redundar na constituição de bancos de embriões voltados para a melhoria da produtividade do gado leiteiro do estado, claro, que com uma gama de ações concomitantes que possam fortalecer o tripé essencial para a produção de leite: comida, água e genética.

O financiamento público de ações voltadas para o melhoramento genético do gado leiteiro do Estado de Sergipe faz todo o sentido em razão da amplitude de atuação do setor e a crescente demanda industrial, tais investimentos já acontecem em outros estados e fortalecem associações e cooperativas que produzem e geram renda. Quanto mais embriões qualificados forem formados, mais leite abastecendo os tanques do desenvolvimento nós teremos.

[*] advogado e prefeito de Muribeca

[1]https://sergipe.se.gov.br/noticias/agricultura/sergipe_registra_maior_crescimento_da_producao_de_leite_no_nordeste_aponta_bnb?utm_source

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