Por Uilliam Pinheiro
Há alguns meses, o Partido Liberal, que foi retirado dos irmãos Amorins e passado para o deputado Rodrigo Valadares, vendia a ideia de que Sergipe seria uma das vitrines do bolsonarismo no Nordeste. Rodrigo desenhou uma estratégia com Flávio Bolsonaro como presidenciável, ele próprio disputando o Senado e convidando Ricardo Marques a concorrer o Governo do Estado, para assim, formar um palanque ideológico dito a verdadeira direita sergipana. O próprio anúncio da pré-candidatura de Ricardo foi feito ao lado de Flávio e Rodrigo com o intuito de passar a impressão de que o projeto de direita vingaria.
Entretanto, a política se faz com fatos e trabalho efetivo, e não apenas com anúncios ou vídeos e posts na ânsia de likes. E a leitura dos fatos que se faz hoje indica que o roteiro originalmente planejado pelo PL começa a apresentar rachaduras que podem levar a um fracasso eleitoral.
O primeiro sinal é nacional. Há uma clara dificuldade de Flávio Bolsonaro em consolidar uma chapa presidencial, evidenciada pelas quedas nas pesquisas, pelos conflitos internos familiares com Michelle Bolsonaro, pela opção dos partidos de centro pela neutralidade ao invés do apoio formal a Flávio, e principalmente, porque a menos de uma semana da convenção partidária, o pré-candidato bolsonarista não tem definido o nome que irá compor sua chapa a vice-presidente. Numa eleição polarizada, um presidenciável sem composição sólida transmite uma imagem de isolamento político e sentimento de derrota.
Em Sergipe, a situação também é preocupante. Ricardo Marques surgiu como aposta do PL para liderar a oposição ao governo estadual, apostando que seria alçado pela pré-candidatura nacional de Flávio Bolsonaro, mas tem sido ao contrário. Ricardo tem tido dificuldade em se adequar ao modo bolsonarista, encontrando resistência no eleitorado mais radical, além de que a própria pré-candidatura de Flávio Bolsonaro vai mal das pernas, não contribuindo em nada nos palanques estaduais.
Da mesma maneira que o filho do ex-presidente ainda não tem definido um nome para a composição de vice, Ricardo Marques segue na mesma toada. Há menos de 10 dias da convenção não há nem um nome forte especulado para compor com o pré-candidato ao Governo de PL. Quando questionado, a cúpula do PL em Sergipe diz que estão orando. É preciso mesmo para que haja um milagre nesse projeto ao Governo do PL.
A maior indecisão, entretanto, atende pelo nome de Rodrigo Valadares. Depois de ser apresentado como o nome de Bolsonaro para disputar o Senado em Sergipe, surgem informações de bastidores indicando que a possibilidade de buscar a reeleição para deputado federal voltou à mesa. A entrada do delegado André David no páreo da disputa ao Senado atrapalhou os planos de Rodrigo, dado que o delegado de polícia tem atraído o voto da direita que Valadares imaginaria que iria para ele.
Se o recuo de Rodrigo se confirmar, e ele for busca à reeleição à Câmara dos Deputados será uma confirmação de que o projeto do PL desandou. Afinal, quem acredita na vitória não costuma abandonar uma candidatura majoritária para disputar um mandato proporcional.
Na política, a percepção costuma antecipar os fatos. E a sequência de indefinições envolvendo as principais apostas do PL reforça a impressão de que o projeto bolsonarista em Sergipe perdeu força antes mesmo do início da campanha. O que foi apresentado como um palanque robusto hoje transmite desorganização, isolamento e falta de rumo — sinais de um projeto que, ao menos por enquanto, parece navegar em direção ao naufrágio.





