Uma investigação do Departamento de Crimes contra o Patrimônio (Depatri) identificou a atuação de uma associação criminosa especializada em golpes praticados pela internet, incluindo o chamado golpe do falso intermediador. O grupo também utilizava perfis, documentos e anúncios falsos para enganar vítimas. Em um dos casos investigados, o prejuízo chegou a aproximadamente R$ 136 mil.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), tanto o comprador quanto o proprietário de uma loja de veículos em Aracaju foram vítimas da fraude. As duas partes acreditavam estar participando de uma negociação legítima e, inicialmente, não tinham motivos para desconfiar da transação.
De acordo com a investigação, os criminosos criavam uma situação aparentemente verdadeira por meio de anúncios falsos, perfis fraudulentos e contatos de pessoas que se passavam por vendedores, funcionários de administradoras de consórcio e intermediadores da negociação.
A fraude foi descoberta quando o comprador foi até a loja para concluir a negociação e verificou que o dinheiro não havia sido depositado na conta do estabelecimento.
“Foi criada uma verdadeira encenação. Os criminosos utilizaram dados de terceiros, falsificaram informações e se passaram por pessoas envolvidas na negociação. O comprador só percebeu que havia sido vítima quando chegou à loja e verificou que o valor não tinha entrado na conta do lojista”, explicou a delegada Lauana Guedes, responsável pela investigação.
Grupo tinha divisão de tarefas
As diligências apontam que diferentes integrantes poderiam exercer funções específicas dentro do esquema criminoso. Entre elas estavam a criação de anúncios falsos, o contato com vítimas por telefone e WhatsApp, a falsificação de documentos e o fornecimento de contas bancárias utilizadas para receber os valores.
A Polícia Civil ainda apura a extensão dessa divisão de tarefas e uma eventual caracterização de organização criminosa.
Um dos casos investigados começou em setembro de 2024, quando uma vítima procurou a unidade policial especializada em crimes de fraude e relatou ter adquirido uma carta de consórcio no valor de R$ 135 mil, destinada à compra de um veículo em uma loja de Aracaju.
Segundo o relato, a vítima negociou a aquisição da carta com um homem que afirmava possuir o crédito quitado e pretendia vendê-lo para quitar uma dívida relacionada à compra de um imóvel. A negociação para utilização da carta na aquisição do veículo aparentava ser legítima.
Durante as tratativas, no entanto, os criminosos utilizaram contatos falsos atribuídos à administradora do consórcio e ao suposto proprietário da carta. Documentos também foram falsificados, levando a loja a emitir a documentação referente ao veículo.
Na sequência, a vítima realizou transferências bancárias para contas indicadas pelos golpistas.
“Esse caso reúne várias modalidades de fraude. Temos o falso intermediador, o anúncio de veículo que foi copiado e utilizado na internet, pessoas que se passaram pelo vendedor e também alguém que se apresentou como funcionário da administradora da carta de crédito. Além disso, foram utilizadas contas bancárias de terceiros para receber os valores”, detalhou a delegada.
Investigados
A investigação identificou a participação de diferentes envolvidos e apontou que o grupo possui ligação com criminosos de São Paulo, que já teriam atuado anteriormente em outros golpes no estado de Sergipe.
A Justiça decretou a prisão de três investigados. Uma das prisões foi cumprida no município de Tatuí, em São Paulo, com apoio da Polícia Civil paulista e os outros dois investigados permanecem foragidos.
As diligências do Depatri continuam para identificar outros possíveis integrantes do grupo, esclarecer a divisão de tarefas e verificar a existência de outras vítimas relacionadas ao mesmo esquema criminoso.
Por Redação O Caju Notícias com informações do Infonet
Foto: SSP/SE





