Isolado e em queda, Rodrigo Valadares pode recuar e disputar a reeleição à Câmara dos Deputados

A condenação do ex-presidente Bolsonaro, o racha no PL em Sergipe e a defesa da taxação dos Estados Unidos ao Brasil alteraram o cenário político do deputado federal

Por Uilliam Pinheiro

Na política, o retrato de hoje pode não ser o retrato de amanhã. Como diz o jargão político: “a política é como uma nuvem — um dia está de uma forma, no outro dia o cenário já é outro.” O caso do deputado bolsonarista Rodrigo Valadares (União Brasil) é um retrato dessas mudanças de cenário.

O deputado federal, que até pouco tempo figurava como um dos nomes mais promissores da direita sergipana e favorito ao Senado em 2026, agora enfrenta um cenário de isolamento e desgaste. A pergunta que paira é: ainda há espaço para uma disputa ao Senado — que será uma das mais acirradas da história — ou o caminho é buscar a reeleição como deputado federal e manter-se como uma voz conservadora em Brasília? Pelo andar da carruagem, a segunda opção é a que vem se desenhando para Rodrigo Valadares.

Como destacou a Revista Realce em matéria publicada nesta semana, o auge de Rodrigo foi impulsionado pelo apoio direto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O endosso do capitão o transformou em símbolo do bolsonarismo em Sergipe, garantindo-lhe destaque e uma base fiel entre os eleitores mais conservadores. No entanto, com a condenação e a potencial prisão do ex-presidente, o poderio de Bolsonaro tende a enfraquecer — algo que já se percebe nos últimos meses, com a redução da repercussão das pautas em torno de seu nome.

A vinculação a Bolsonaro tem seu ponto positivo, mas também se mostrou limitadora: ao concentrar sua imagem em torno de um único grupo ideológico, Rodrigo Valadares reduziu sua capacidade de diálogo e expansão política. E isso pesa muito em uma disputa majoritária ao Senado.

A crise na pré-candidatura ao Senado se agravou com o racha pelo comando do PL no estado. Conflitos com nomes expressivos, como Edivan Amorim e Valmir de Francisquinho, evidenciaram uma postura vista por muitos como individualista. O episódio em que rompeu com Edivan — interpretado como uma “traição” dentro do grupo — foi particularmente danoso, provocando debandadas e minando sua credibilidade entre aliados, a ponto de o próprio Edivan afirmar que “não senta à mesa com Rodrigo nem para beber água”.

Além disso, suas declarações polêmicas em defesa dos Estados Unidos, em um momento de tensão diplomática, afastaram setores mais moderados da direita e do centro. Ainda assim, é inegável que Rodrigo mantém uma base leal e um espaço relevante na direita sergipana. A reflexão que se impõe é: esse eleitorado conservador e de direita é suficiente para elegê-lo senador? Na opinião de quem escreve, não.

Rodrigo Valadares terá que tomar uma decisão: arriscar-se em uma disputa ao Senado mesmo diante desse cenário de queda e isolamento dentro do próprio agrupamento político, ou buscar a reeleição à Câmara dos Deputados, que seria um caminho “mais fácil”?

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