Na pré-campanha, Fábio Henrique deu entrevista à Coluna Aparte, do JLPolítica, para explicar por que decidiu disputar a Assembleia Legislativa de Sergipe. Agora, já em campanha oficial e liberado para pedir voto, o candidato do MDB (número 15500) fala ao site O Caju Notícias sobre o que pretende defender na Assembleia.
Entre as prioridades estão a criação de oportunidades para quem tem mais de 45, 50 anos, o fortalecimento da indústria e do turismo e a criação de um hospital público estadual dedicado à saúde mental. Para Fábio Henrique, isso parte de uma mesma realidade: fazer a economia crescer e fazer esse crescimento chegar à periferia, em forma de emprego, segurança e melhores condições de vida.
O Caju – Desde domingo passado o senhor passou a poder pedir voto abertamente. Muda o discurso?
Fábio Henrique – Só muda o verbo! Antes a gente apresentava as ideias, agora pode pedir o voto de todos. Mas o trabalho é o mesmo de quando eu era vereador em Aracaju e prefeito em Socorro. Eu prefiro falar daquilo que dá para fazer de perto e fazer de verdade do que prometer um monte de coisa bonita e depois não entregar. Nossa gente está cansada disso e quer saber do que melhora a vida de verdade.
O Caju – O senhor já vem sendo chamado de “deputado da Zona Norte” antes mesmo de tomar posse. De onde vem essa marca?
Fábio Henrique – Vem de conhecer essa realidade. Eu acompanho há muitos anos as demandas do 18 do Forte, do Santos Dumont, do Lamarão, do 17 de Março e de tantas outras comunidades. E, embora o Santa Maria e o 17 de Março estejam na Zona Sul, eles também fazem parte desse trabalho de presença e atenção à periferia. Conheço também a periferia de Socorro, de São Cristóvão, da Barra. Aracaju tem uma orla bonita e um centro importante, mas tem uma Zona Norte inteira que trabalha, vota há décadas e ainda espera sua vez. A gente precisa olhar para esse trabalhador. Tem político que só lembra da periferia na eleição. Eu vivo a rua, a comunicação e a política há muitos anos. Essa marca é da nossa própria história.
O Caju – O senhor tem falado muito em oportunidade para quem passou dos 45, 50 anos. Por que isso virou uma prioridade?
Fábio Henrique – Porque a pessoa chega aos 50 anos e, muitas vezes, encontra uma porta fechada. É alguém que tem experiência, responsabilidade, sabe trabalhar, mas de repente fica mais difícil conseguir uma vaga. Isso não pode ser tratado como se essa pessoa não tivesse mais valor. A gente precisa criar incentivo para a empresa contratar quem já tem experiência, facilitar o crédito para quem quer abrir um pequeno negócio ou se preparar melhor. E precisa fazer isso sem esquecer de quem está começando. O jovem também precisa encontrar a primeira oportunidade.

O Caju – E como criar essas oportunidades para os dois lados?
Fábio Henrique – A gente precisa fazer com que Sergipe continue crescendo. E a indústria é uma parte importante disso. Precisamos criar condições para que empresas venham para cá, invistam e contratem. Quando uma indústria nova chega, não é só quem trabalha dentro dela que ganha. Tem transporte, comércio, alimentação, prestação de serviço. É dinheiro circulando. E o mesmo vale para o turismo. Eu conheço esse setor por dentro, inclusive porque já fui secretário de Estado da área. Turismo não é só hotel e praia. Quando o turista chega, movimenta restaurante, transporte, comércio, cultura, eventos e muitos outros serviços. São 56 setores da economia ligados a essa atividade. É emprego para o jovem que está começando e também para quem já tem experiência. É assim que a gente faz o desenvolvimento chegar na periferia: criando essa oportunidade.
O Caju – Mas como fazer o crescimento chegar a quem está na periferia?
Fábio Henrique – É fazer o investimento chegar junto com a oportunidade. Não adianta a indústria chegar e o morador do bairro continuar desempregado. Não adianta o turismo crescer e quem mora perto dos pontos turísticos não participar desse dinheiro. A gente precisa preparar as pessoas, aproximar os cursos das comunidades e fazer com que as empresas tenham interesse em contratar. O filho de um trabalhador precisa poder entrar no mercado. E o pai, que já tem 50 anos e experiência, também precisa continuar tendo espaço. Pensamos em todos os incentivos possíveis.
O Caju – O senhor também costuma falar de segurança quando trata desse desenvolvimento. Qual é a relação?
Fábio Henrique – Toda. Ninguém quer investir onde não tem segurança. E Sergipe tem uma vantagem importante que precisamos preservar: não temos a presença do crime organizado que outros estados enfrentam. Isso é algo que precisa ser mantido. Segurança também ajuda a gerar emprego. Uma empresa que vem para Sergipe precisa se sentir segura. Uma família precisa poder abrir um pequeno comércio sem medo. O trabalhador precisa poder ir e voltar para casa tranquilo. Desenvolvimento não é só colocar prédio de pé. É criar um lugar onde as pessoas possam trabalhar e viver em paz.
O Caju – E o hospital público de saúde mental continua entre as suas principais bandeiras. Por quê?
Fábio Henrique – Porque esse é um problema que eu vejo de perto. Eu ouço a mãe desesperada sem saber para onde levar o filho em crise, e isso não sai da minha cabeça. Os CAPS fazem um trabalho muito importante, mas estão sobrecarregados e não conseguem dar conta de todas as situações. Minha proposta é para o hospital público estadual voltado para a saúde mental, como uma retaguarda para esses casos mais graves. Não é para fechar CAPS. É para dar o atendimento que hoje está faltando. Quem tem dinheiro procura uma clínica particular. E quem não tem? O Estado precisa estar lá.
O Caju – Olhando para tudo isso, qual é o fio que une suas propostas?
Fábio Henrique – É a vida real da periferia. É o jovem querendo a primeira oportunidade. É o trabalhador de 45, 50 anos querendo continuar trabalhando. É a mãe procurando atendimento para o filho. É o comerciante querendo vender mais. É a família querendo segurança. Por isso eu falo tanto de indústria e turismo. Não é só sobre empresa ou sobre turista. É sobre dinheiro circulando e chegando na casa das pessoas. Eu quero uma economia que cresça e que não deixe a periferia olhando de fora. Já fui vereador, prefeito e deputado federal. Aprendi que uma coisa é fazer discurso bonito e outra é fazer acontecer. É a minha maior experiência que quero levar para a Assembleia.
O Caju – O senhor tem outras ideias além dessas?
Fábio Henrique – Tenho, claro. Mas não quero transformar a campanha numa lista de promessa. Prefiro falar do que considero mais urgente e do que estou ouvindo nas ruas. Depois, quero ser cobrado por aquilo que estou defendendo agora.
O Caju – Pra fechar. O senhor sempre preferiu conversa direta a nota oficial. Isso muda a forma como faz campanha?
Fábio Henrique – Muda tudo! Problema de gente a gente não entende lendo relatório em ar-condicionado. A gente entende sentando na calçada, tomando um café na casa do morador e ouvindo o que a rua fala. Foi assim que eu aprendi a trabalhar. Minha campanha vai ser assim: de porta em porta, no olho no olho, conversando com as pessoas. Eu quero uma periferia que não seja lembrada só na eleição. Quero uma periferia com emprego, segurança, saúde e oportunidade. A maior obra que deixei em Socorro não foi só o asfalto. Foi o cuidado com a nossa gente. É essa força que eu quero levar para a Assembleia. E o pedido é direto: dá-lhe 15500 na urna e confirma para deputado estadual. Essa é a caminhada da gente.





