“Não há peneira capaz de tapar esse sol”, diz Alessandro Vieira ao cobrar do Senado solução para relação entre Moraes e PGR

Senador afirma que relações entre Moraes, Gonet e Vorcaro exigem resposta institucional do Senado e diz que situação “contamina a democracia brasileira”

O senador Alessandro Vieira (MDB/SE) voltou a cobrar uma resposta institucional do Senado para a relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o banqueiro Daniel Vorcaro em discurso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Para o senador, os fatos que ele já havia levantado como relator da CPI do Crime Organizado “continuam batendo à porta” e não podem mais ser ignorados pelo Congresso.

“Aqueles mesmos fatos que apontei no relatório final da CPI do Crime Organizado continuam batendo à porta. Porque não há peneira capaz de tapar esse sol, é preciso tratar dessa situação. E a única casa com legitimidade e capacidade para cuidar disso é o Senado”, afirmou Vieira.

“É duas vezes mais errado porque é um banqueiro desonesto”

O senador criticou diretamente o ministro Alexandre de Moraes, a quem classificou como assessor “notoriamente, publicamente, reconhecidamente” de luxo do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. “Como disse no Plenário, é errado se fosse banqueiro honesto, é duas vezes mais errado porque é um banqueiro desonesto”, declarou. Segundo Vieira, “o ministro sabia. Diretamente, através da sua família, ele teve vantagem financeira relevante nessa relação”.

O parlamentar afirmou ainda que, às vésperas da prisão de Vorcaro, foi o próprio ministro, e não o advogado do banqueiro, quem ele procurou para saber se deveria deixar o país. “Se fosse um senador da República, estava preso. Se fosse um juiz da comarca, estava preso”, disse. “O acordão que está em andamento, com cada um segurando o rabo do outro para se defender, é contrário aos interesses do Brasil. Isso tem que ser dito” 

O senador classificou como “constrangedora” a situação em que o próprio Gonet “é obrigado a emitir parecer sobre relatório policial que aponta as relações dele, e procurador-geral da República, com o investigado”.

“Esse momento contamina a democracia brasileira. Esse momento contamina a eleição”, disse Vieira.

Por Assessoria Parlamentar
Foto: Saulo Cruz / Agência Senado

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