Nas últimas semanas, o confronto entre os senadores que buscam a reeleição tem chamado a atenção dos sergipanos que acompanham a política. Alessandro Vieira e Rogério Carvalho têm trocado farpas publicamente. O ponto de partida desse embate foi a saída do senador Alessandro Vieira da chapa oficial do governador, mesmo após ser reconhecido como o parlamentar que mais ajudou a gestão de Fábio Mitidieri, e a entrada do senador Rogério Carvalho na chapa governista.
O senador Alessandro tem afirmado que seu colega de Senado não tem coragem de enfrentar a Justiça porque depende dela para ser candidato. Rogério, por sua vez, responde que “ele [Alessandro Vieira] está com ciúme porque saiu da chapa”.
Entre a saída de um e a entrada de outro, esse episódio revela sobre a forma como cada um enxerga e atua na política. Mesmo sendo retirado da chapa governista, o senador Alessandro manteve o apoio à reeleição do governador e continua destinando emendas, abrindo portas em Brasília e colaborando com ações da gestão Fábio Mitidieri.
Se a situação fosse inversa, Rogério permaneceria na base? Ou migraria para a oposição em um piscar de olhos? Nos bastidores, os comentários são de que não pensaria duas vezes para pular de lado, sugerindo que a conveniência política falar mais alto.
Essa percepção ganha força quando se observa que, durante quase três anos da gestão de Fábio Mitidieri, o senador Rogério Carvalho adotou um discurso crítico ao governo estadual. Também não atuou como interlocutor junto ao Governo Lula, apesar da proximidade partidária, nem destinou emendas significativas para colaborar com o governo de Fábio. Agora, às vésperas das eleições, aproximou-se da mesma base governista que durante muito tempo combateu.
Mais do que isso, chama atenção a tentativa de Rogério Carvalho, ao gravar vídeo bem produzidos e participar das solenidades, de se associar a obras, ações e entregas construídas sem sua contribuição efetiva, e desta forma, pegando carona no trabalho de outros parlamentares, entre eles o senador Alessandro Vieira. Como diz o ditado popular: “Entrou no ônibus e já quer sentar na janela”.
Ao se manter firme no projeto do governador, o senador Alessandro demonstra que seu compromisso está voltado para a entrega de resultados e para a melhoria da qualidade de vida dos sergipanos, mesmo que isso implique perda de dividendos eleitorais, Rogério transmite a impressão de que suas movimentações obedecem mais à conveniência eleitoral do que à coerência de posicionamentos.
Um permanece colaborando mesmo quando não é beneficiado politicamente. O outro se aproxima justamente quando essa proximidade pode render ganhos eleitorais. A diferença entre ambos não está apenas no discurso. Está, sobretudo, na prática.
Na comparação entre os dois comportamentos, cabe ao eleitor decidir qual modelo de atuação melhor representa os valores que espera de seus representantes.
Por Uilliam Pinheiro





