Opinião – Luizão Donatrampi: o retrato da política pão e circo em Sergipe

Texto escrito por Aryadny Silva, ativista social e defensora dos direitos humanos

Por Aryadny Silva [*]

Nos últimos anos, a política sergipana tem sido palco de personagens que mais parecem saídos de um roteiro de comédia do que de uma arena de debate sério sobre o futuro do estado. Um dos exemplos mais emblemáticos é o deputado estadual Luizão Donatrampi, que agora anuncia sua pré-candidatura ao Senado.

A trajetória política de Luizão sempre esteve marcada por uma retórica populista, recheada de frases de efeito, bravatas e comparações caricatas com líderes internacionais. O apelido que ele carrega, “Donatrampi”, não é por acaso: o deputado fez questão de construir sua imagem como uma versão tropicalizada de Donald Trump, mas sem o poderio econômico e geopolítico que sustenta a figura original. O resultado é uma caricatura de mau gosto que reduz a política sergipana a um palco de vaidades.

Entre o circo e o descaso

Enquanto Sergipe enfrenta desafios estruturais gravíssimos — como os baixos índices de desenvolvimento humano em determinadas regiões, a crise da saúde pública e a estagnação econômica —, Luizão prefere investir em discursos inflamados e em gestos performáticos. A lógica é simples: quanto mais polêmico e midiático, mais espaço ele ocupa na opinião pública, mesmo que isso nada acrescente à vida da população.

Essa postura revela uma tendência preocupante: a substituição da política séria, comprometida e propositiva, por um espetáculo vazio, em que a performance vale mais que o conteúdo. Luizão Donatrampi, em vez de apresentar projetos sólidos, transforma o plenário em palanque e reduz o debate a memes e frases de efeito.

A pré-candidatura ao Senado

Sua pré-candidatura ao Senado é, ao mesmo tempo, previsível e preocupante. Previsível porque o deputado enxerga na visibilidade conquistada com polêmicas uma escada para alçar voos mais altos. Preocupante porque, caso eleito, ele levaria esse mesmo estilo performático para uma das casas mais importantes da República, contribuindo ainda mais para a descredibilização do Legislativo.

É legítimo que qualquer parlamentar almeje cargos maiores. O problema é quando essa ambição não vem acompanhada de competência, compromisso social ou visão estratégica. O Senado precisa de representantes que discutam seriamente os rumos do país, e não de personagens que fazem da política uma caricatura.

A responsabilidade do eleitor

O caso de Luizão Donatrampi não é apenas um sintoma do esvaziamento da política, mas também um reflexo da tolerância — e até do incentivo — da sociedade ao voto em figuras folclóricas. O eleitorado precisa compreender que cada voto dado a candidatos que tratam a política como espetáculo é um voto a menos para quem deseja tratar a coisa pública com seriedade.

Sergipe merece mais do que um “Donatrampi” como representante no Senado. Precisa de líderes preparados, capazes de enfrentar os desafios sociais e econômicos do estado, e não de mais uma caricatura que confunde palco com parlamento.

[*] Ativista social e defensora dos direitos humanos

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