Por Fábio Henrique [*]
Entre Socorro e Aracaju existem duas pontes reais: a Djenal Queiroz e a José Rollemberg Leite. Assim como nas vias que unem São Cristóvão e a Barra à capital, milhares de trabalhadores cruzam suas estruturas todos os dias. Mas existem outras pontes, menos visíveis, que agora precisam ser edificadas. Falo daquelas entre a qualificação e o emprego, entre o trabalhador mais velho e a recolocação e entre o jovem periférico e a primeira carteira assinada.
A engenharia dessas pontes não é de concreto, é de política pública. Minhas experiências como prefeito de Nossa Senhora do Socorro e vereador de Aracaju focaram ações nesse sentido e provam que é possível agir com polos de empreendedorismo e qualificação. Esse é um compromisso que começa no Legislativo e se consolida nos municípios.
A Assembleia Legislativa pode e deve legislar para que essas ações ganhem escala regional. Por isso, quero propor a criação de um fundo de desenvolvimento econômico focado na Grande Aracaju, com recursos carimbados para qualificação e incentivo à contratação nas áreas com menores índices de emprego, integrando também as cidades de São Cristóvão e Barra dos Coqueiros a essa dinâmica produtiva com a capital.
O Estado já avançou com o Programa Primeiro Emprego, inserindo centenas de jovens no mercado formal. Um novo fundo integrando as quatro cidades pode expandir esse impacto e subsidiar aprendizes e trabalhadores acima de 50 anos.
Outra frente urgente é a instalação de centros de intermediação de mão de obra nos próprios bairros periféricos. Sergipe tem alta informalidade e rendimento abaixo da média nacional. O trabalhador do Rosa Elze, em São Cristóvão, ou da Zona Norte de Socorro, não deveria perder horas e renda no transporte público. A tecnologia encurta distâncias, mas precisamos de investimento em conectividade e postos descentralizados.
Dados do Dieese mostram um cenário preocupante: enquanto Sergipe gera empregos, a faixa acima de 50 anos perdeu centenas de vagas formais. Preterir quem tem mais de 50 é uma crueldade e um erro econômico. Cada trabalhador maduro sem emprego é um consumidor a menos, um contribuinte a menos e uma história interrompida.
Construir essas pontes exige orçamento. Na minha experiência como deputado federal, e antes como vereador, acompanhei de perto a execução orçamentária. O dinheiro existe e, nesse âmbito, está nos fundos estaduais e emendas parlamentares. O que falta é foco e articulação para aplicá-lo onde o retorno social é maior.
Esse deve ser um gesto de coragem puxado na Alese. Meu compromisso é usar a experiência que acumulei na vida pública para transformar essa e outras propostas em realidade, legislando com os pés no chão e os olhos no futuro.
Artigo publicado originalmente no site JlPolítica Jozailto Lima – Ninguém que ir: campanhas de Lula e Flavio Bolsonaro põem em dúvida presença nos debates eleitorais | Opinião – Na Alese por uma justiça geracional da Grande Aracaju | JLPolítica
[*] É ex-deputado federal, ex-prefeito de Socorro, ex-vereador de Aracaju e está pré-candidato a deputado estadual pelo MDB





