
Por Aryadny Silva [*]
Articulista que escreve às quartas-feiras
Vivemos um tempo em que o dinheiro, por si só, já não basta para satisfazer o ego de quem o possui. A política, que deveria ser o instrumento mais nobre de transformação social, tornou-se o palco preferido de quem busca poder, status e controle. Entram nos cargos públicos não para servir, mas para se servir.
O poder, quando mal utilizado, é mais viciante que qualquer riqueza. Ele embriaga. E muitos que o provam passam a enxergar as pessoas não como cidadãos, mas como peças em um tabuleiro que serve aos seus interesses. Transformam a dor alheia em discurso, a miséria em palco e a esperança em ferramenta de manipulação.
A política, no entanto, não é isso. Política é serviço. É olhar o outro como extensão de si mesmo. É compreender que cada decisão tomada dentro de um gabinete impacta vidas reais, de quem acorda cedo, enfrenta ônibus lotado e ainda acredita que o país pode mudar.
Mas o que temos visto é o contrário: a banalização do poder e o desprezo pelo coletivo. A ânsia por dominar se disfarça em discursos populistas, promessas rasas e gestos ensaiados. É um jogo perigoso onde a vaidade substitui o compromisso e a empatia é trocada por conveniência.
Precisamos recuperar o verdadeiro sentido da política: o de servir, e não o de dominar. O poder não pode ser fim, mas meio. Meio para garantir dignidade, igualdade e justiça. O mandato deve ser um instrumento de transformação social, não um escudo de privilégios.
Enquanto a política continuar sendo refúgio de egos e ambições, e não espaço de entrega e coragem, continuaremos a ver o mesmo ciclo: os poderosos subindo, o povo esperando e o país parado.
O Brasil precisa, urgentemente, de menos dominadores e mais servidores. O poder sem propósito é apenas uma forma sofisticada de escravidão, e o povo não nasceu para ser submisso, mas para ser livre.
[*] Ativista social e defensora dos direitos humanos
Charge: Bira Dantas – Reprodução Facebook





