Por Bia Muniz
Colunista do site Fausto Leite Portal de Notícias
Eu falo aqui não só como jornalista, mas como feminista assumida, professora universitária aposentada, avó de duas meninas curiosas e, sobretudo, como alguém que conhece Emília Corrêa muito antes do cargo, do palanque e do microfone. Conheci Emília na universidade. Fomos colegas, dividimos sala, textos, debates e cafés apressados entre uma aula e outra na Universidade Federal. Já ali ela era exatamente isso que continua sendo hoje: firme, preparada, estudiosa e pouco dada a pedir licença para existir. Talvez por isso incomode tanto.
Quando vi os recortes da entrevista, confesso que não me surpreendi. Fiquei cansada. Porque esse roteiro é velho e nós, mulheres, o conhecemos de cor. A mulher fala com convicção e vira “nervosa”. Reage e vira “descontrolada”. Defende seu trabalho e vira “surtada”. Se fosse um homem, estariam chamando de pulso firme, liderança, personalidade forte. Eu vivi isso na academia, Emília vive na política, minhas alunas vivem no mercado de trabalho. Mudam os cenários, o machismo insiste em manter o mesmo figurino.
Falo com carinho porque sei quem ela é e com ironia porque sei como o jogo funciona. Emília não perdeu o controle. Ela perdeu a paciência com a distorção. E, convenhamos, paciência feminina nunca foi recurso infinito. O que tentaram fazer não foi crítica de gestão, foi tentativa de desqualificação pelo atalho mais preguiçoso que existe: questionar o equilíbrio emocional de uma mulher. Isso não é jornalismo crítico. É misoginia com filtro de rede social.
E aqui eu falo por mim, por ela e por todas nós. Nenhuma mulher chega a lugar algum sem atravessar esse corredor estreito onde pedem para sorrir mais, falar menos, se explicar melhor. Emília segue trabalhando, como sempre fez, porque trabalho sério não se desfaz em recorte de vídeo.
Como professora, como mulher e como avó, eu digo às mais jovens: firmeza não é defeito, é ferramenta. E ninguém, absolutamente ninguém, tem o direito de chamar nossa voz de loucura só porque ela não cabe no silêncio que esperavam de nós.





