Por Leonardo Lisboa (*)
A expressão “tiro, porrada e bomba” nunca fez tanto sentido na política de Sergipe, especialmente nas últimas semanas. Em menos de um mês, vimos a implosão do grupo governista com a saída do senador Alessandro Vieira e, logo em seguida, anotações de Flávio Bolsonaro que colocam Ricardo Marques, atual vice-prefeito de Aracaju, como possível nome para disputar o Governo do Estado pelo Partido Liberal.
Esses dois fatos, por si só, já foram suficientes para abalar as estruturas de poder e mexer no tabuleiro político de 2026.
Alessandro sai discretamente da órbita do governador e, na semana seguinte ao anúncio, André Moura é convocado pela CPMI do INSS, que investiga fraudes envolvendo descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas.
Ricardo Marques, antes esquecido e tratado por alguns como carta fora do baralho, ressurge agora como um nome competitivo, com chances reais de disputar o governo pelo maior partido do Brasil. Naturalmente, a notícia não passou despercebida pela população, que tem abraçado a ideia e demonstrado apoio ao vice-prefeito em milhares de comentários e diversas enquetes nas redes sociais.
Mas esse movimento não impactou apenas o atual governador. A outra parte da oposição também sentiu o baque e agora corre para se reorganizar, tentando mostrar que ainda está no jogo, mesmo após meses de disputas internas, conflitos e desgastes públicos.
Nesse contexto, surge o movimento de escalar Valmir de Francisquinho para conter o avanço de Ricardo Marques. O prefeito de Itabaiana em uma entrevista na TV Atalaia disse ter disposição para lançar sua pré-candidatura ao governo. O primeiro passo ele deu ao pedir licença da prefeitura de Itabaiana para correr trecho pelo Estado de Sergipe.
A estratégia parece clara: tentar ofuscar o nome do vice-prefeito ainda no seu nascedouro antes que ganhe tração e musculatura política. Ainda sim, o nome de Ricardo Marques é tão forte que o próprio Valmir afirmou que votaria nele durante a entrevista e que não veria problema que ele fosse o candidato da oposição.
É inegável que Valmir ainda possui forte apelo popular. Uma eventual candidatura sua embaralharia ainda mais o cenário. No entanto, caso esse movimento se confirme, algumas perguntas inevitáveis surgem:
E se Valmir voltar a ser considerado inelegível pela Justiça?
E se concorrer sub judice novamente e seus votos não forem validados?
E se renunciar à prefeitura e, ao final, não puder disputar?
Em ficando inelegível mais uma vez, ele irá votar em Ricardo Marques como disse em entrevista?
Ficam apenas as perguntas. As respostas — e os juízos de valor — cabem a cada um. O meu, já tenho. Mas deixarei para outra ocasião. Em outro texto. Em outra coluna.
[*] Ativista e comentarista político. Defensor da vida, liberdade e propriedade





