Por que Rodrigo Valadares se incomodou com a CPI do Crime Organizado?

O deputado federal fez críticas à proposta de criação da CPI do Crime Organizado, de autoria do senador Alessandro Vieira

Por Uilliam Pinheiro

Na política, certos posicionamentos revelam mais do que apenas o conteúdo que expressam. Foi o caso do deputado federal Rodrigo Valadares (União Brasil), que usou suas redes sociais, nesta segunda-feira (23) para criticar a proposta de criação da CPI do Crime Organizado, de autoria do senador Alessandro Vieira. A publicação do deputado chamou atenção por se opor a uma iniciativa voltada justamente para investigar estruturas criminosas que impactam diretamente a vida da população.

A CPI em questão quer investigar a atuação de facções criminosas e milícias em todo o Brasil. Quer entender como essas organizações funcionam, como se instalam nas regiões, quem manda nelas, como se financiam e como se relacionam com setores da sociedade e até da política. Ou seja, uma CPI que o Brasil inteiro precisa e apoia. Uma proposta séria, elogiada por várias camadas da sociedade, justamente por querer colocar luz no que há de mais sombrio no país.

Mas aí vem Rodrigo Valadares, deputado bolsonarista, e solta no Twitter:

“O traidor Alessandro Vieira com a CPI do crime organizado é a piada do ano. Ele deveria investigar o grupo que faz parte e seus amigos, como por exemplo o GOVERNO LULA. A maior quadrilha da história do Brasil, que ele pediu votos e apoia cegamente. Um apoiador do PT investigar o crime organizado, é igual ao Oruam investigando o Comando Vermelho”, escreveu o deputado.

Na tentativa de atacar um possível adversário nas eleições do ano que vem, Rodrigo acabou revelando mais do que queria. Ao chamar a CPI de “piada”, ele praticamente se coloca contra a investigação do crime organizado. Ora, quem é contra investigar bandido?

Além disso, ao tentar colar no senador Alessandro Vieira a imagem de petista, a pessoa demonstra desconhecimento ou má-fé. Alessandro é conhecido por ser um homem sério, independente e combativo, que já criticou tanto o PT quanto o bolsonarismo. O que ele realmente defende é a ética e o combate à corrupção, independentemente de onde ela venha. Ser atacado tanto pela esquerda quanto pela direita é justamente uma prova da sua coerência.

Sobre as investigações ao governo Lula, Alessandro assinou a proposta de CPMI para apurar o caso de corrupção no INSS, o que desmonta o argumento de que ele não deseja investigar o governo Lula.

Agora, vamos lembrar de uma coisa, muito se fala sobre possíveis ligações da família Bolsonaro com milícias no Rio de Janeiro. E Rodrigo, sendo um dos aliados mais fiéis da família, se coloca justamente contra uma CPI que pode revelar essas e outras ligações perigosas. Fica a pergunta no ar: o deputado estaria com medo que algo fosse revelado?

Se a própria direita diz que a esquerda tem envolvimento com o crime organizado, por que não apoiar uma CPI que pode provar isso? Ou será que há medo de que a investigação acabe revelando relações incômodas demais dentro do próprio grupo?

A verdade é que se alguém realmente se preocupa com a moralidade pública, com a segurança da população e com o futuro do país, deveria estar a favor de uma CPI que quer enfrentar o crime organizado de frente. Ser contra é, no mínimo, um péssimo sinal.

Rodrigo Valadares errou feio. Em vez de atacar a proposta, deveria estar somando forças. Sua crítica diz muito mais sobre ele do que sobre o senador Alessandro Vieira. E num momento em que o Brasil precisa de união contra o crime, quem tenta sabotar esse esforço, por interesse eleitoral ou medo do que pode aparecer, está claramente do lado errado da história.

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