Ricardo Vasconcelos é a aposta de André Moura para vencer a rejeição do eleitorado de Aracaju

Após ser escalado como primeiro suplente na pré-candidatura ao Senado de André Moura, o presidente da Câmara de Aracaju já tem articulado apoios de lideranças na Grande Aracaju ao projeto

Por Uilliam Pinheiro

A escolha de Ricardo Vasconcelos como primeiro suplente de André Moura na disputa pelo Senado tem toda cara de jogada bem pensada. Não foi à toa. O movimento já nasceu com o sinal verde do governador Fábio Mitidieri, afinal, os dois são do mesmo partido, o PSD. E vamos combinar, Ricardo dificilmente toparia entrar nessa sem o aval do próprio Fábio, que já cravou em alto e bom som que um dos seus candidatos a senador em 2026 é André Moura.

O que dá pra perceber é que André parece ter aprendido com as pancadas do passado. A verdade é que ele nunca se deu muito bem nas urnas de Aracaju. Em 2018, teve uma votação bem modesta na capital, pouco mais de 30 mil votos. Em 2022, mesmo com Yandra Moura arrebentando no estado e sendo a deputada federal mais votada, Aracaju continuou sendo um problema. Por lá, ela ficou só em sétimo lugar. E em 2024, quando disputou a prefeitura da cidade e já vinha numa crescente, ainda assim ficou em terceiro, atrás de Emília Corrêa, que acabou eleita, e do candidato do grupo de Edvaldo Nogueira.

Diante disso, chamar Ricardo pra chapa não parece só um gesto simbólico. É uma tentativa clara de quebrar a rejeição de André em Aracaju. E o melhor de tudo é que Ricardo não chega de mãos abanando. Ele tem bagagem política de sobra.

O cara foi presidente da Câmara de Aracaju já no primeiro mandato como vereador. Foi reeleito e ainda fez história nas urnas, sendo o segundo vereador mais votado da capital, atrás apenas de Jackson Barreto lá nos tempos de 1988. Isso não é pouca coisa.

Além disso, Ricardo sabe jogar o jogo. Mesmo sendo aliado da prefeita Emília Corrêa, tem se posicionado com independência, cobrando e criticando quando acha necessário. Um exemplo foi quando bateu de frente com as falas machistas do ex-porta-voz da Prefeitura contra a deputada Yandra Moura. Ele não ficou em cima do muro e mostrou firmeza, o que fortaleceu ainda mais sua imagem de liderança.

Com jogo de cintura, respeito entre os colegas de Câmara e boa articulação política, Ricardo se mostra um trunfo real pra uma candidatura majoritária. Ele pode ser justamente o empurrão que André precisa pra melhorar sua imagem em Aracaju e, de quebra, ainda manter os laços com o núcleo político do governador.

Após ser escalado como primeiro suplente na pré-candidatura ao Senado de André Moura, o presidente da Câmara de Aracaju já tem articulado apoios de lideranças na Grande Aracaju ao projeto.

No fim das contas, se política é enxergar o que vem pela frente e saber unir forças, essa parceria entre André e Ricardo tem tudo pra render. Pode até ser uma aposta, mas é daquelas que fazem sentido. E que, dependendo do andar da carruagem, pode fazer barulho nas urnas. É aguardar para ver se a aposta foi acertada.

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