Por Uilliam Pinheiro
Nas últimas semanas, o assunto mais comentado tem sido a disputa pela presidência do Partido Liberal (PL) em Sergipe. Segundo informações de bastidores, o deputado bolsonarista Rodrigo Valadares teria pedido ao ex-presidente Jair Bolsonaro a presidência do PL no estado, retirando do comando o atual presidente, Edivan Amorim, que dirige a sigla há anos e mantém uma relação de amizade com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. O argumento defendido por Rodrigo é que o PL precisa ter uma identidade mais alinhada ao bolsonarismo e que Edivan Amorim não teria essa postura, além de pouco defender o ex-presidente e pautas caras ao bolsonarismo, como a anistia.
O empresário Edivan Amorim não gostou nada da movimentação de Rodrigo em querer assumir o comando do PL. Em entrevista ao jornalista Narcizo Machado, chamou o deputado federal de “traidor” e afirmou que “não senta com ele nem para beber água”. E ainda emendou: “Rodrigo, depois dessa traição, nosso grupo rejeita. Nosso grupo não aceita traidor”, disparou Edivan Amorim sobre o deputado.
Diante das declarações de Edivan Amorim — que tem grande influência no atual grupo do PL, incluindo a prefeita Emília Corrêa e o prefeito Valmir de Francisquinho, as duas maiores forças políticas e eleitorais do partido —, Rodrigo Valadares pode ter dado um tiro no próprio pé e inviabilizado sua chance de se tornar senador.
Caso Rodrigo realmente consiga a presidência do PL em Sergipe, receberá um partido esvaziado, já que Edivan Amorim sinalizou que levará todo o seu grupo político para outra sigla. Isso dificultaria a montagem da chapa proporcional para deputados estaduais e federais, afetando diretamente o projeto de eleger sua esposa, Moana Valadares, como deputada federal.
Além disso, a dificuldade de formar chapas proporcionais aumenta porque Rodrigo tem histórico de pensar apenas em si, sem buscar fortalecer o grupo. Os apoios que as lideranças do PL poderiam dar à sua pré-candidatura ao Senado já não existirão mais, como demonstra a fala de Edivan Amorim. A dobradinha entre Eduardo Amorim e Rodrigo Valadares caiu por terra, e há forte possibilidade de perder também o apoio da prefeita Emília Corrêa. O prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, já não simpatizava com a pré-candidatura de Rodrigo ao Senado, e com essa movimentação fecha-se totalmente a possibilidade de apoio.
Outra consequência é a possibilidade de sua mãe, que comanda a Secretaria de Assistência Social de Aracaju, perder o cargo, já que o grupo de Edivan Amorim pressiona a prefeita Emília Corrêa a exonerá-la, alegando que o deputado federal traiu todo o grupo.
Mesmo que Rodrigo Valadares recue do desejo de comandar o PL em Sergipe, o estrago já terá sido feito, pois o grupo de Edivan Amorim não voltará a confiar em quem tentou “passar-lhe a perna”. Recuando, poderá até manter o apoio da prefeita Emília Corrêa, mas de forma mais tímida, já que ela não vestirá 100% a camisa de Rodrigo, para não desagradar o grupo de Edvan e Eduardo Amorim, que agora não querem mais vê-lo nem “banhado a ouro”.
Restará a Rodrigo Valadares acreditar que o eleitorado bolsonarista em Sergipe tenha força suficiente para lhe garantir uma vitória majoritária, o que parece bastante improvável. O deputado federal vinha em crescimento, mas a ambição pode tê-lo feito cair do cavalo.





