Rogério Carvalho alfineta André Moura após apoio a Flávio Bolsonaro: “Você gera desconfiança em relação à sua conduta”

Senador afirmou que mudanças de posicionamento político podem frustrar eleitores e gerar dúvidas sobre as intenções de candidatos em disputas estaduais e de grandes cidades

Por Victor Gabriel

O senador Rogério Carvalho avaliou, durante o Jornal da Fan desta segunda-feira (19), a decisão do ex-candidato ao Senado André Moura de apoiar Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Para o parlamentar, mudanças de posicionamento político podem interferir na relação entre o candidato e o eleitor, gerando dúvidas sobre suas intenções.

O senador reconheceu a experiência política de André Moura, mas avaliou que as mudanças de palanque podem ter reflexos em disputas majoritárias.

“É um político que tem mais de 50 anos, ele tem várias eleições, é vitorioso. Então, ele sabe o que tá fazendo. Mas acho que um pouco desse perfil dele é responsável pelas derrotas majoritárias que ele tem tido. Quando o eleitor não sabe onde você está, ele passa a duvidar de você e das suas reais intenções com ele. É óbvio que ele fez uma opção, é, de mestre na política, mas às vezes a melhor opção política para sobreviver politicamente não é aquela que o eleitor espera de você. A gente precisa sempre fazer a mediação entre qual é o melhor caminho que eu sigo na política e qual é o melhor caminho que eu sigo pra manter a confiança do eleitor em mim como político”, declarou.

Em outro momento da entrevista, Rogério afirmou que o alinhamento inicial entre integrantes de uma chapa pode criar expectativas no eleitorado e que um posterior afastamento pode gerar desconfiança.

“Quando você participa de uma chapa que tá todo mundo junto, que parece que você se alinhou, na sequência você se desalinha, você frustra e você gera desconfiança em relação à sua conduta, a quem você realmente é na relação com o eleitor. Não tô aqui fazendo nenhum juízo de valor em relação a outra coisa senão a relação dele com o eleitor. Mas ele sabe o que tá fazendo, ele tem maturidade”, disse.

O senador também diferenciou as disputas municipais em cidades pequenas das eleições estaduais e das grandes cidades. Segundo ele, nas localidades menores, as relações pessoais têm maior peso, enquanto em disputas de maior abrangência a imagem política construída pelo candidato influencia a percepção do eleitor.

“As eleições de uma cidade pequena não funcionam desse jeito. Porque as relações são muito pessoais, mas eleições estaduais, eleições de grandes cidades funcionam desse jeito que eu tô falando. O eleitor não é umazinha uma pessoa, é uma ideia que se forma sobre os candidatos. Mas aí é uma questão de compreensão de cada um”, concluiu.

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