Por Victor Gabriel
Nesta quarta-feira (10), o senador Rogério Carvalho (PT) criticou duramente a aprovação da PL da Dosimetria na Câmara dos Deputados, em entrevista ao Jornal da Fan, do Portal Fan F1. O projeto, aprovado durante a madrugada, altera critérios de cálculo das penas e pode beneficiar condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, inclusive, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o senador, a proposta representa uma tentativa de aliviar a situação de pessoas envolvidas “em um golpe de Estado ainda em julgamento”.
“Tudo tem a ver com passar a mão em pessoas que organizaram um golpe de Estado, cujo julgamento ainda está em andamento. Eles planejaram matar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o presidente do TSE. E essas pessoas agora têm redução de pena. Isso mostra que a Câmara dos Deputados e parte dos senadores não têm compromisso com o povo brasileiro”, afirmou.
Durante a entrevista, Rogério Carvalho comparou o momento atual com discursos utilizados em eleições anteriores.
“Quando estávamos na eleição de 2018, eu lembro que Bolsonaro dizia que deixaria Lula ‘apodrecer na cadeia’. Depois dizia que bandido precisa ficar preso na pior cadeia possível, porque ‘bandido não merece direitos humanos’. E agora o argumento deles é justamente uma questão de direitos humanos. Começam a criar uma nova narrativa. Veja: ninguém está sendo maltratado. Muitos dos presos só estão encarcerados porque não quiseram fazer acordo de não persecução e cumprir medidas de reeducação. É lamentável o que está acontecendo”, declarou.
O senador também afirmou acreditar que a votação do projeto fez parte de uma articulação política relacionada às eleições de 2026.
“Essa matéria entrou na pauta da Câmara dentro de um acordo que já estava organizado. Flávio Bolsonaro lança sua pré-candidatura à Presidência, depois diz que isso ‘tem um preço’ — e eles pagam o preço. Como foi que pagaram? Aprovam a PL da dosimetria, ele recua da candidatura e Tarcísio fica livre para concorrer com o apoio de Bolsonaro. Tudo isso tem a ver com movimentos de interesse político e eleitoral, sem compromisso e sem critério de verdade”, disse.
Rogério Carvalho concluiu afirmando que a aprovação do projeto representa um retrocesso e evidencia um “uso político” do debate sobre penalidades e direitos humanos.





