Por Victor Gabriel
Durante entrevista ao Jornal da Fan, da Rádio Fan FM, nesta segunda-feira (24), o senador Rogério Carvalho (PT) comentou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorrida no sábado (22), e criticou a movimentação de parlamentares da oposição que defendem a votação de uma anistia “a qualquer custo”.
O senador afirmou que Bolsonaro já se encontrava sob medidas cautelares e violou as determinações judiciais.
Segundo ele, a tentativa de romper a tornozeleira eletrônica — enquanto um ato religioso ocorria em frente à residência do ex-presidente — escancarou o risco de fuga.
“O ex-presidente já estava recluso em casa com tornozeleira eletrônica, portanto já havia medidas cautelares. Ele violou essas cautelares, tentou romper a tornozeleira no momento em que acontecia, conjuntamente, um ato religioso na frente da casa. Então ficou muito escancarado o risco de ele fugir, ir para uma embaixada ou algo do tipo. Acho que a Justiça agiu corretamente, no limite da lei.”
Rogério também criticou a postura da base bolsonarista diante dos fatos, afirmando que o grupo tenta negar a realidade e transformar Bolsonaro em vítima.
“É impressionante como a base bolsonarista não tem noção de realidade e age tentando negar a própria realidade. Diante de um fato desses e tantas evidências, pedir anistia é premiar quem pratica crimes de forma continuada. Não acredito que terá êxito a aprovação da anistia, e duvido até que isso vá ser pautado num momento como esse.”
O senador reforçou que a insistência da oposição em avançar com o tema tem caráter exclusivamente político e não se sustenta diante da gravidade dos crimes atribuídos ao ex-presidente.
“É óbvio que os líderes do bloco bolsonarista vão tentar pautar, vão fazer barulho, vão tentar passar a ideia de que Bolsonaro é vítima, mas ele não é vítima de nada. Bolsonaro foi responsável por milhares de mortes na pandemia, participou e orquestrou uma tentativa de golpe de Estado, uma tentativa de assassinar presidente, vice-presidente e presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Ele não é vítima e é responsável pelos atos dele. Portanto, não cabe anistia.”
A discussão deve continuar no Congresso, mas a avaliação de Rogério Carvalho é de que não há ambiente político nem jurídico para que a proposta avance.





