Rogério Carvalho vence no PT, mas o silêncio diante da violência mancha o processo

O combate à violência contra a mulher não pode ser seletivo nem silenciado quando o agressor está "dentro de casa"

Por Uilliam Pinheiro

A eleição interna do Partido dos Trabalhadores (PT) chegou ao fim com a esperada vitória do senador Rogério Carvalho, que agora assume a presidência estadual da sigla. O resultado confirma sua força política e abre espaço para que ele se consolide como o único nome do partido para disputar uma vaga no Senado, tornando-o o senador de Lula nas eleições 2026. A vitória interna, no entanto, veio acompanhada de episódios que merecem reflexão — e cobrança.

Com Rogério Carvalho no comando, o partido caminhará para uma configuração em que os planos de Márcio Macêdo de disputar uma vaga no Senado tendem a se enfraquecer consideravelmente, restando ao seu grupo — ao lado de Eliane Aquino — a disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, com maior probabilidade de vitória caso o nome escolhido seja o de Eliane.

O PT, portanto, já parece esboçar quem serão seus principais representantes nas próximas eleições. O desafio de Rogério Carvalho será compor uma chapa majoritária que dê sustentação à sua candidatura à reeleição. Pelos sinais já dados em entrevistas, o caminho deverá ser a abertura de diálogo com o governador Fábio Mitidieri.

Contudo, a política não se faz apenas com acordos e articulações. Há princípios que precisam ser preservados acima dos interesses eleitorais. Nesse sentido, a eleição interna do PT foi manchada por um episódio grave: a militante Layane foi agredida por Gaguinho, um petista histórico. Até o momento, não houve qualquer nota pública de repúdio à agressão ou solidariedade à vítima por parte da direção do partido ou, mais especificamente, de Rogério Carvalho, agora líder estadual da sigla.

Essa omissão é preocupante. O combate à violência contra a mulher não pode ser seletivo nem silenciado quando o agressor está “dentro de casa”. A coerência entre discurso e prática deve ser um valor inegociável para qualquer liderança política que se diz comprometida com os direitos humanos e com a justiça social. O silêncio de Rogério Carvalho, até aqui, fere esse princípio básico.

É preciso dizer com todas as letras: não basta ser contra a violência apenas quando convém. Se o PT quer continuar sendo referência na defesa dos direitos, precisa agir com firmeza diante de episódios como este. A militância, os eleitores e a sociedade esperam coerência, não conivência.

Portanto, cabe agora ao senador Rogério Carvalho, como novo presidente estadual do PT, dar o exemplo e se posicionar claramente sobre o que ocorreu. A omissão não é uma opção. O partido precisa demonstrar que suas bandeiras não são apenas palavras ao vento, mas compromissos reais com a dignidade humana — dentro e fora de seus próprios quadros.

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