A tão comentada ausência de parlamentares na Câmara de Aracaju, entre os anos de 2025 e 2026, ganhou um novo capítulo. Em investigação dos jornalistas Ana Paula Rocha e Wendal Carmo, do Mangue Jornalismo, foram cruzados registros de frequência enviados ao Ministério Público de Sergipe (MPE) com dados de contracheques. Segundo a apuração, parlamentares com faltas registradas não teriam sofrido descontos proporcionais em seus vencimentos em alguns casos.
Líder no ranking de ausências, a vereadora Moana Valadares (PL) não esteve presente em 65 das 133 sessões realizadas nos primeiros 15 meses de legislatura. Dessas, 43 foram registradas como licença, sem detalhamento da natureza nos dados encaminhados pela Câmara.
De acordo com o levantamento, os descontos na remuneração de Moana somaram R$ 28.292,43. Considerando o valor aproximado por dia de ausência, estimado em R$ 762,17 com base no salário de R$ 22.865,16, o total poderia alcançar cerca de R$ 38,8 mil.
Em situação semelhante, o vereador Joaquim da Janelinha (PDT) aparece com 28 faltas no período, sem justificativas identificadas nos dados analisados, tendo recebido remuneração integral.
Já o vereador Vinícius Porto (PDT) acumulou 29 faltas, sendo 22 sem justificativas registradas. Ainda assim, recebeu salário integral na maior parte do período, com ajustes pontuais em dois meses e valores superiores ao padrão ao final de 2025.
Em resposta a reportagem da Mangue Jornalismo, o presidente da Câmara, Ricardo Vasconcelos (PSD), afirmou que, nos casos de licença para interesse particular, os descontos são proporcionais aos dias de ausência. “Se faltar 3 dias, vai descontar 3/30 do salário”, explicou.
Segundo o presidente da Câmara de Aracaju, o Regimento Interno prevê até cinco licenças mensais, com incidência de desconto proporcional a partir da sexta.
Fonte: Política de Fato e Mangue Jornalismo






