Muribeca será a nova rota dos marchantes de Sergipe

Artigo assinado pelo prefeito de Muribeca, Mário de Sandra

Por Mário de Sandra [*]
Articulista que escreve todas às sextas-feiras

A cadeia do corte de carne em nosso Estado possui espaço significativo na geração de renda e tem importância ímpar na composição de consumo da sociedade sergipana. O Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene) do Banco do Nordeste (BNB)[1] indica que Sergipe teve um aumento de 35,2% na produção em toneladas de carne bovina, demonstrando a pujança do setor.

Ao arrepio deste cenário, uma lacuna no processo de beneficiamento da proteína em Sergipe surgiu com o encerramento das atividades de abate, sobretudo no Norte do Estado, em razão da aquisição do empreendimento existente em Propriá por um grupo econômico alagoano.

Todas as atividades do Estado foram centralizadas na cidade de Itabaiana, com custos elevados de frete e distanciamento dos marchantes e pequenos produtores do Baixo São Francisco, Vale do Cotinguiba e Sertão. Os consumidores viram o preço da carne subir nas feiras livres e a sociedade de maneira geral passou a ser espectadora de operações policiais em razão de abate clandestino.

Se de um lado a necessária atuação do Estado no controle do abate visa evitar doenças e afasta o passado da comercialização de cavalos e jumentos nos mercados, do outro, surge como única opção para o pequeno produtor e machante que abate poucos animais e não tem recursos suficientes a “escolha de sofia” entre colocar comida na mesa e se tornar um infrator por necessidade.

Nesse contexto, o Município de Muribeca sai na frente com a sua política pública de desenvolvimento econômico, as Zonas de Interesse Econômico, concedendo apoio locacional e regime especial tributário para a instalação do novo Abatedouro Frigorífico em seu território. Com a capacidade de abate diário superior a cem animais, o empreendimento em construção gerará em sua operação mais de duzentos empregos diretos e alterará a dinâmica da cadeia agropecuária da região.

Os pequenos produtores e machantes da região norte terão a possibilidade de abater os seus animais em um processo sanitizado, reduzindo custos e constituindo uma oferta de maior qualidade ao mercado consumidor sergipano.

O Observatório de Sergipe[2] estabeleceu que cerca de 33% do estoque de gado para corte de Sergipe está no raio de atuação deste novo empreendimento instalado em Muribeca, ampliando a assertividade da política pública fomentadora municipal e a localização estratégica de Muribeca para novos investimentos.

A política precisa cada vez mais de atores e intenções que atinjam os que mais precisam, o desenvolvimento socioeconômico depende fundamentalmente da atenção às bases reais, especialmente naquilo que toca as atividades agropecuárias, só assim teremos desenvolvimento perene e melhor atendimento dos anseios da sociedade.

[*] Advogado e prefeito de Muribeca

Referências Bibliográficas
[1] https://www.bnb.gov.br/imprensa/noticias/-/asset_publisher/QGdgGhxvRtMv/content/produção-de-carne-bovina-em-sergipe-é-a-que-mais-cresce-no-nordeste/44540

[2] https://docs.observatorio.se.gov.br/wl/?id=BKDuf0n4X0TE5az6g1LXdJsuLRuUjT2j

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