Opinião – Romário na Copa, o trabalhador no batente

Artigo escrito pela ativista social Aryadny Silva

Por Aryadny Silva

Enquanto milhões de brasileiros acordam cedo, enfrentam ônibus lotados, jornadas exaustivas e lutam para colocar comida na mesa, o senador Romário aparece como comentarista da Copa do Mundo. A pergunta que fica é simples: se fosse um trabalhador comum, isso seria aceito?

O Senado não está em recesso. Os senadores continuam recebendo salários pagos pela população para exercer suas funções legislativas, fiscalizar o governo e representar os interesses dos cidadãos. Ainda assim, vemos um parlamentar atuando em uma função completamente diferente durante um dos maiores eventos esportivos do planeta.

Imagine a realidade de um trabalhador brasileiro. Se ele deixasse seu emprego para assumir outra atividade durante seu expediente, sem autorização e sem cumprir suas obrigações, dificilmente manteria seu cargo por muito tempo. Em muitos casos, seria demitido imediatamente.

É justamente essa diferença de tratamento que revolta a população. Existe uma sensação crescente de que há regras para quem trabalha duro todos os dias e regras diferentes para quem ocupa cargos de poder.

Não se trata de discutir a carreira de Romário como ex-jogador ou sua capacidade como comentarista esportivo. Seu histórico no futebol é inegável. A questão é outra: qual deve ser a prioridade de alguém que foi eleito para representar o povo brasileiro?

O trabalhador brasileiro não pode simplesmente abandonar suas responsabilidades quando surge uma oportunidade mais atraente. Por que, então, aqueles que ocupam cargos públicos deveriam ser tratados de forma diferente?

A política precisa estar mais próxima da realidade das pessoas. E a realidade é que quem vive do próprio trabalho sabe muito bem que compromisso e responsabilidade não são opcionais. São exigências diárias.

Quando um parlamentar escolhe estar em outro lugar enquanto deveria exercer a função para a qual foi eleito, a mensagem transmitida é preocupante. Afinal, para o cidadão comum, faltar ao trabalho tem consequências. E é justo que a população se pergunte por que, para alguns, parece não ter.

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