Opinião – Edvaldo na corda bamba: abraça o PT ou desaparece em 2028

Texto escrito pelo advogado Fausto Leite

Por Fausto Leite
Texto publicado originalmente no site Fausto Leite Notícias

Edvaldo Nogueira carrega a fama de bom administrador. Fez obras, manteve as contas em ordem, deixou a máquina pública ajustada. Isso ninguém tira dele. Mas quando o assunto é política, Edvaldo sempre foi um desastre: não atende aliados, não conversa com lideranças e nunca se misturou de verdade com o povo. É um político de gabinete, que sempre preferiu a distância segura da planilha ao calor da rua.

Agora, fora da prefeitura, tenta reinventar-se como articulador, circulando em cada roda do governo do Estado, especialmente no “Sergipe é Aqui”. Aparece sorridente, posando de popular. Só que o povo percebe: é atuação ensaiada, não mudança real. Quem passou anos distante não consegue virar “gente do povo” de uma hora para outra.

E o azar é que deu de frente com Ricardo Vasconcelos, presidente da Câmara de Aracaju, que não mede palavras. Ao ouvir Edvaldo dizer que as CPIs abertas na Câmara eram “cortina de fumaça”, Ricardo explodiu: “Aqui não tem cabresto. O tempo da enganação acabou”. Foi um direto no queixo. Enquanto Edvaldo tenta diminuir o alcance das investigações, Ricardo fala a linguagem que o eleitor entende: quem errou vai ter que responder, sem passar pano.

Essa é a diferença entre os dois. Edvaldo fala como burocrata; Ricardo fala como povo. E em política, o microfone pesa mais do que a planilha. Nos bastidores, Edvaldo acena com 2026. Sonha com o Senado, mas também flerta com a Câmara Federal. O problema é que, se arriscar a ser deputado, perde de vez o apoio de Luiz Roberto que já disse publicamente que sua candidata a deputada federal é Katarina Feitoza. 

E tem outro detalhe que pesa: Edvaldo não é o primeiro senador no projeto de Fábio Mitidieri. Nem o segundo. Talvez o quarto ou quinto da fila. Ou seja, se depender apenas desse apoio, vai sobrar muito pouco, ou nada. Por isso, aliados mais próximos já apontam um caminho: Edvaldo precisa buscar abrigo no PT de Rogério Carvalho, reconstruir pontes (PDT e PT). Afinal, por suas próprias convicções, não há espaço para ele em partidos de centro ou centro-direita. Só no PT teria fôlego para sobreviver politicamente, seja compondo uma chapa de governo em 2026 com respaldo petista, seja preparando o terreno para tentar, com chances reais, voltar à disputa pela prefeitura em 2028

Alguns amigos e aliados já disseram sem rodeios: ou Edvaldo se reposiciona e garante espaço real dentro de uma estrutura partidária forte, como o PT de Rogério, ou ficará refém de apoios ocasionais que nunca chegam na hora certa. Ser o quarto ou quinto nome da fila não assegura sobrevida política a ninguém.

Edvaldo precisa decidir: vai continuar encenando o personagem distante, correndo o risco de ser atropelado por novos protagonistas, ou terá coragem de reconstruir pontes, alinhar-se a um projeto maior e, assim, pelo menos sobreviver até 2028? A resposta está com ele. Mas a lição é simples: quem não aprende a ouvir, dialogar e respeitar aliados acaba falando sozinho. E sozinho, em política, não se chega a lugar nenhum.

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