Entre discurso e confusão: Pato Maravilha

Texto escrito pela ativista de Umbaúba, Aryadny Silva

Por Aryadny Silva

O deputado estadual conhecido como Pato Maravilha voltou a se envolver em mais uma confusão no município de Umbaúba, desta vez durante uma cavalgada cristã. Segundo relatos de moradores, o parlamentar teria arremessado o celular de um homem no telhado e agredido uma moça. A mulher, posteriormente, foi às redes sociais negar a agressão. Já o homem apareceu ao lado do deputado, mas não mencionou e tampouco desmentiu a história do celular lançado.

Em entrevista à Focca, Pato Maravilha afirmou que o morador estaria “amedrontando a população”. A pergunta que fica é: será mesmo o morador? Ao fazer tal afirmação, o deputado parece esquecer de olhar para o próprio histórico.

Não é a primeira vez que o nome de Pato surge associado a episódios de intimidação e violência. Em 2017, ele se envolveu em uma confusão com um administrador da página “Você Precisa Saber”, que teria feito uma denúncia. Segundo moradores, o deputado teria encontrado o comunicador em frente a uma farmácia e, aproveitando-se do fato de ele estar com a filha pequena no colo, passou a intimidá-lo e, supostamente, agredi-lo, acompanhado de outro indivíduo conhecido como Rena.

Há ainda registros e relatos de agressão a um radialista, curiosamente, hoje integra o mesmo agrupamento político do deputado. Coincidência ou conveniência, o fato é que o histórico se repete: embates, ameaças veladas e uma postura que se distancia do comportamento esperado de um representante público.

Quando episódios assim se acumulam, a narrativa de “culpa do outro” perde força. Não se trata de um fato isolado, mas de um padrão que merece ser debatido com seriedade. Em uma democracia, autoridades devem zelar pelo diálogo, pelo respeito e pelo exemplo especialmente em eventos públicos e religiosos.

A população de Umbaúba não precisa ser amedrontada. Precisa, sim, de respostas, responsabilidade e respeito. E isso começa quando quem acusa tem coragem de encarar o próprio reflexo.

[*] é ativista social, escritora e comunicadora

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