Janela partidária do Partido Liberal revela Ricardo como coadjuvante e o foco é a pré-candidatura de Rodrigo ao Senado

Luciano Pimentel, Fernandinho Franco e Tiago Rangel continuarão apoiando à reeleição de Mitidieri como a pré-candidatura de Rodrigo Valadares ao Senado, enquanto Ricardo ficará “vendo navios”

Por Uilliam Pinheiro

As últimas filiações da janela partidária no Partido Liberal (PL) revelam, de fato, que a prioridade eleitoral é o projeto de eleger Rodrigo Valadares como senador, ficando para Ricardo Marques um papel secundário, quase de sacrifício, em favor de um “projeto maior” do bolsonarismo ou, mais precisamente, dos interesses de Rodrigo Valadares..

De quinta a sábado, as filiações do deputado Luciano Pimentel, do ex-prefeito de Muribeca, Fernandinho Franco, e do afilhado do senador Laércio, Tiago Rangel, podem parecer, à primeira vista, um fortalecimento da pré-candidatura de Ricardo Marques ao Governo, no entanto, em uma análise mais atenta, essas filiações apenas fortalecem a pré-candidatura de Rodrigo Valadares ao Senado.

Todos esses nomes continuarão apoiando o projeto de reeleição do governador Fábio Mitidieri. Não romperão com Fábio em favor da pré-candidatura de Ricardo. Permanecerão aliados ao governo estadual, ao mesmo tempo, em que passam a apoiar a pré-candidatura de Rodrigo Valadares ao Senado.

Basta uma leitura simples para perceber que a pré-candidatura de Ricardo Marques ao Governo do Estado surge apenas como um trampolim eleitoral para o projeto de Rodrigo. Em teoria, todas as pré-candidaturas proporcionais deveriam ser braços de sustentação para a pré-candidatura ao Governo de Sergipe. Isso é praxe na construção eleitoral. Contudo, no PL , a engrenagem política gira em torno de outro eixo: a eleição de Rodrigo Valadares ao Senado. Para confirmar ainda mais essa leitura, basta observar que o vereador Lúcio Flávio, do PL, não crava apoiar a pré-candidatura de Ricardo Marques ao Governo, mas verbaliza que apoiará a de Rodrigo ao Senado.

Ricardo Marques, que poderia trilhar um caminho mais tranquilo em uma disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, foi conduzido a uma pré-candidatura ao Governo que carece de capilaridade, especialmente no interior do estado. As pré-candidaturas proporcionais mais relevantes, que poderiam levar seu nome ao interior, não farão esse trabalho; ao contrário, apoiarão outros pré-candidatos ao Governo de Sergipe, sejam Fábio Mitidieri ou Valmir de Francisquinho. Resta a Ricardo sua força na Grande Aracaju e o trabalho nas redes sociais, o que limita significativamente suas chances em uma eleição estadual.

Diante desse cenário, a leitura é clara: Rodrigo Valadares constrói um projeto político centrado em si mesmo e utiliza a pré-candidatura de Ricardo Marques como instrumento estratégico. Se essa estratégia foi acordada entre Ricardo Marques e Rodrigo, apenas ambos podem afirmar. Mas uma coisa é evidente no PL em Sergipe, Ricardo Marques atua como coadjuvante, enquanto Rodrigo ocupa o papel principal. E, na política, raramente os coadjuvantes chegam ao final da história como protagonistas.

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