Yandra Moura propõe piso salarial de R$ 3.400 para conselheiros tutelares em todo o país

Criado pelo ECA, o Conselho Tutelar é o órgão responsável por zelar pelo cumprimento dos direitos de crianças e adolescentes previstos na Constituição Federal

A deputada federal Yandra Moura (União-SE) apresentou na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 3.165/2026, que institui um piso salarial nacional para os conselheiros tutelares. A proposta altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e fixa em R$ 3.400 o valor mínimo mensal para jornadas de até 40 horas semanais, vedando que estados, Distrito Federal e municípios paguem menos que isso.

Pelo texto, o piso será corrigido todo mês de janeiro pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) ou por índice oficial equivalente, caso o INPC deixe de existir. A proposta também garante aos conselheiros tutelares o direito de se inscrever no Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), benefício hoje restrito a outras categorias de servidores públicos.

Atualmente, a remuneração dos conselheiros tutelares é definida por legislação municipal ou distrital, o que resulta em valores muito diferentes pelo país. Em municípios menores ou com menor capacidade orçamentária, os salários costumam ficar abaixo do necessário para atrair e manter profissionais qualificados na função, segundo a deputada.

“O conselheiro tutelar está na linha de frente do enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes. Não é justo que a valorização desse profissional dependa do tamanho do orçamento de cada prefeitura. Precisamos de um piso que garanta dignidade em qualquer lugar do Brasil”, afirma Yandra Moura.

Criado pelo ECA, o Conselho Tutelar é o órgão responsável por zelar pelo cumprimento dos direitos de crianças e adolescentes previstos na Constituição Federal. Os conselheiros atuam diariamente em casos de violência doméstica, negligência, abuso sexual, exploração infantil e outras violações de direitos, funcionando como uma das principais portas de entrada da rede de proteção à infância e à juventude.

“Esses profissionais lidam todos os dias com situações extremamente delicadas, muitas vezes sem o suporte e o reconhecimento que merecem. O piso salarial é uma forma de dizer que o trabalho deles importa para o país inteiro, não só para o município onde atuam”, diz a parlamentar.

O projeto deixa claro que o piso de R$ 3.400 é um valor mínimo. Estados, Distrito Federal e municípios continuam livres para pagar remunerações superiores, conforme sua realidade orçamentária. A proposta também determina que os entes federativos façam as adequações necessárias em seus orçamentos para cumprir a nova exigência, caso o projeto seja aprovado.

O PL 3.165/2026 ainda será analisado pelas comissões da Câmara dos Deputados antes de seguir para votação em plenário.

Por Assessoria de Imprensa

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

<-- cazamba ->