O vereador Breno Garibalde utilizou o pequeno expediente da Câmara de Aracaju, nesta terça-feira, 7, para fazer um alerta sobre a redução das áreas de mangabeiras em Sergipe e defender políticas públicas voltadas à preservação ambiental, à proteção das comunidades tradicionais e ao planejamento urbano.
Durante o pronunciamento, Breno destacou que a mangaba, fruto símbolo de Sergipe, tem perdido espaço por conta da expansão urbana e da falta de ações efetivas para preservar as áreas de cultivo. Como exemplo, relembrou a retirada da comunidade Mangabeiras, durante a implantação de conjuntos habitacionais no bairro 17 de Março, em Aracaju.
O parlamentar afirmou que políticas habitacionais são importantes, mas defendeu que sua execução deve considerar critérios ambientais. “É importante falar de política habitacional, mas é necessário rever os locais onde essas políticas são implementadas. Quando escolhemos um pilar em detrimento de outro, acabamos devastando o meio ambiente”, disse.
Breno também criticou uma situação envolvendo a Associação das Catadoras de Mangaba, na Barra dos Coqueiros. Segundo ele, uma área destinada à entidade, que já havia recebido recursos para cercamento, teve a instalação da cerca interrompida por ação da prefeitura. O vereador afirmou que o terreno estaria sendo retomado pelo município para futura comercialização destinada à implantação de novos empreendimentos imobiliários.
“O fruto símbolo de Sergipe está perdendo espaço. Hoje, a Paraíba produz mais mangaba do que Sergipe, e a gente não pode achar isso normal”, declarou.
Ao longo do discurso, o vereador também chamou atenção para os impactos da expansão urbana desordenada na Barra dos Coqueiros.
Segundo ele, o crescimento do município tem ocorrido sem planejamento adequado, com a construção de condomínios e loteamentos que não oferecem infraestrutura básica, como calçadas, pontos de ônibus e condições seguras de deslocamento para trabalhadores.
Breno afirmou que esse modelo de desenvolvimento contribui para a expulsão de comunidades tradicionais e dificulta a permanência das famílias que vivem da coleta da mangaba. “Essas pessoas vão cultivar mangaba onde? O que vamos fazer para preservar as mangabeiras?”, questionou.
O parlamentar ainda relacionou o debate ambiental ao direito à cidade, defendendo investimentos em transporte público, arborização, mobilidade urbana e infraestrutura para pedestres.
Segundo ele, tanto a Barra dos Coqueiros quanto a Zona de Expansão de Aracaju seguem um modelo de crescimento que prioriza automóveis e empreendimentos privados em detrimento da qualidade de vida da população.
“Precisamos rever os modelos de cidade que estamos construindo em Aracaju e em Sergipe. Normalizamos viver em cidades sem arborização, sem calçadas e com transporte público precário. Precisamos garantir que a cidade seja para todos, e não apenas para poucos”, concluiu.
Por Nayana Araujo | Assessoria Parlamentar
Foto: Luanna Pinheiro





