Fábio rebate críticas de Emília sobre suposto uso político na licitação do transporte público: “Prefeita, me respeite. Se eu quisesse fazer política com a senhora, eu ia fazer e a senhora não ia gostar”

O governador disse que sempre defendeu a licitação do transporte realizada na gestão Edvaldo por não identificar irregularidades, mas ressaltou que respeitou a decisão da maioria dos prefeitos do Consórcio

Por Uilliam Pinheiro

Em entrevista ao jornalista Narcizo Machado, na Fan FM nesta terça-feira (16), o governador Fábio Mitidieri (PSD) rebateu as declarações feitas pela prefeita Emília Corrêa sobre a participação do Governo do Estado no Consórcio Metropolitano do Transporte Público ao qual insinuou que o Governo do Estado estaria utilizando o órgão em ano eleitoral para fazer política e prejudicar a Prefeitura de Aracaju e o transporte público.

O governador solicitou respeito e que se trate o assunto com responsabilidade. “Não me coloque nisso, muito menos que eu estou me abstendo porque isso é política e eu sou candidato à reeleição. Prefeita, me respeite. Se eu quisesse fazer política com a senhora, eu ia fazer e a senhora não ia gostar. A senhora [Emília] tem todo o direito de lutar, de opinar, mas não de chamar o governo de mentiroso ou dizendo que estou fazendo política ou outra coisa desse sentido. Aí não, aí a senhora tem que me respeitar como eu respeito a senhora”, disse Fábio Mitidieri.

Fábio Mitidieri fez um histórico de sua participação no Consórcio e foi enfático ao afirmar que sempre defendeu a licitação realizada na gestão Edvaldo Nogueira por não identificar nenhuma irregularidades ou vícios, no entanto respeitou às decisões tomadas pela maioria dos prefeitos que integram o Consórcio Metropolitano.

“Primeiro, logo no início da gestão da prefeita Emília, a prefeita se posicionou a favor de uma nova licitação. À época, existem várias entrevistas que podem comprovar isso. Eu não entendi essa licitação [da gestão Edvaldo] como equivocada, não identifiquei nenhum erro e nem participei de nenhum erro, porque todos os prefeitos que estavam à época também concordaram. Inclusive, foi contratado um estudo para isso. Mas os quatro prefeitos envolvidos eram prefeitos de primeiro mandato: o prefeito da Barra, o prefeito de São Cristovão, o prefeito de Socorro e a prefeita de Aracaju. E a decisão da maioria, o Estado iria acatar, não porque encontrou qualquer irregularidade, mas por respeitar a decisão desses quatro prefeitos. Desde o início, me posicionei dizendo que não havia nenhuma irregularidade na licitação original, mas queria respeitar a vontade da maioria. Eu não mudei essa opinião”, disse o governador.

O governador também contestou declarações da prefeita de que o município de Aracaju estaria arcando sozinho com subsídios ao transporte público. “Não é verdade, prefeita. Pela primeira vez na história, o Governo do Estado também está subsidiando o transporte público municipal, que não é obrigação nossa”, disse.

De acordo com Mitidieri, o Estado concede isenções fiscais às empresas do setor, incluindo benefícios relacionados ao ICMS sobre combustíveis, como forma de contribuir para a sustentabilidade do sistema e para a renovação da frota.

Durante a entrevista, o governador também questionou a permanência das empresas que venceram a licitação realizada na gestão anterior, apesar das críticas feitas ao processo. “Se a licitação era cheia de vícios, mas todas as empresas que ganharam a licitação continuam na sua gestão. A Modelo está aí. A empresa de Minas Gerais, que ganhou a licitação, continua operando. Não mudou nada. Estranho foi a senhora dizer que estava errado e manter as mesmas empresas. Porque, se estava errado, a primeira coisa que eu faria seria trocar. Mas não. Está do mesmo jeito. E esses ônibus com ar-condicionado que estão rodando em Aracaju são os ônibus que foram comprados na licitação anterior pelas empresas que ganharam a licitação anterior, para cumprir o contrato daquela licitação”, disparou o governador.

Mitidieri ainda criticou a aquisição de ônibus elétricos com recursos públicos municipais. Segundo ele, a responsabilidade pela compra dos veículos deveria ser das empresas concessionárias. “Outra coisa: onde já se viu pagar R$ 130 milhões do povo de Aracaju para comprar ônibus e entregar para as empresas? Quem tem a obrigação de comprar os ônibus são as empresas que ganharam a licitação, não a prefeitura. Então, você pega R$ 130 milhões para comprar 30 ônibus elétricos para dizer que colocou ônibus elétrico em Aracaju. E, dos 30, só cinco rodam. Enquanto isso, os R$ 130 milhões estão gerando juros que a população de Aracaju está pagando”, questionou o governador.

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