Por Ricardo Marques [*]
Ao lado da prefeita Emília Corrêa, nossa missão sempre foi clara: romper com o ciclo de abandono, de omissão e de interesses obscuros que por décadas atravancou a melhoria do transporte público em Aracaju e da região metropolitana.
Desde os tempos em que estivemos juntos na Câmara Municipal, enfrentamos – muitas vezes solitários – os velhos esquemas que transformaram a mobilidade urbana de nossa cidade em um retrato do atraso e do descaso.
Esta história é longa e o povo de Aracaju conhece bem. Uma licitação conduzida pela gestão anterior, recheada de vícios, omissões legais e falta de transparência, chegou a ser denunciada por nós, ainda enquanto parlamentares.
Apontamos irregularidades, ausência de previsão orçamentária adequada, alterações indevidas no cálculo da tarifa, redução da frota e um sistema totalmente desconectado das necessidades da população. E o tempo nos deu razão.
Já como gestores do município, tomamos a decisão corajosa de barrar aquele processo, atendendo a pareceres do Ministério Público de Contas e às orientações técnicas do próprio Tribunal de Contas do Estado. Iniciamos então um novo caminho: sem improviso, com responsabilidade fiscal, diálogo institucional e, principalmente, compromisso com as pessoas.
Adquirimos novos ônibus, com ar-condicionado e veículos elétricos, trazendo Aracaju para o século XXI em termos de conforto, sustentabilidade e dignidade para os usuários do transporte público. Estruturamos uma nova licitação, com regras claras, abertas, auditáveis.
Congelamos a tarifa, instituímos uma política de retirada gradual de ônibus velhos e sucateados. Agimos com transparência. Fizemos o que era necessário fazer. Aracaju era até ontem a primeira cidade do Nordeste com uma frota elétrica de ônibus.
No entanto, o recente parecer do TCE-SE, que determina a retomada da licitação anterior e questiona aspectos da nova aquisição de veículos, nos impõe um cenário preocupante. Respeitamos, naturalmente, a instituição e suas decisões.
Mas cabe à sociedade sergipana refletir: a quem interessa interromper um processo de modernização sem precedentes? Por que insistir em manter uma licitação rejeitada por tantos órgãos de controle e pela opinião pública e que determinava um aumento de tarifa para R$ 8,43? Por que inviabilizar uma gestão que tem atuado com zelo, responsabilidade e foco no bem comum?
Não temos medo do debate. Enfrentamos os poderosos porque caminhamos com o povo. Nosso compromisso é com o estudante que pega dois ônibus para chegar à escola, com o trabalhador que acorda às 5h da manhã e sofre com veículos lotados e sem ventilação, com a mãe que precisa de um transporte seguro para levar o filho ao posto de saúde.
A luta por um transporte público de qualidade é técnica, e é também moral. E nesta trincheira continuaremos firmes, confiando que o bom senso, a verdade e o interesse coletivo hão de prevalecer. Seguiremos dialogando com o TCE, com o MPC, com todos os órgãos de controle. Mas sobretudo, seguimos ao lado do povo de Aracaju.
Porque o nosso lado sempre foi – e sempre será – o lado de quem depende do transporte público para viver com dignidade.
[*] É vice-prefeito de Aracaju e secretário da Comunicação Social





