Opinião – Yandra Moura se esconde atrás dos pescadores para defender o indefensável

Texto escrito por Aryadny Silva, ativista social e defensora dos direitos humanos

Por Aryadny Silva
Articulista que escreve às quartas-feiras

Quando o voto fala mais alto que o compromisso, o discurso perde a credibilidade. Foi o que se viu recentemente com a deputada federal Yandra Moura (União Brasil), que votou pela derrubada da Medida Provisória 1303, medida que buscava compensar perdas de arrecadação com novas fontes de receita, entre elas a taxação de bancos, casas de apostas e grandes fortunas.

Após a votação, Yandra tentou justificar sua posição alegando que o voto teria sido “em defesa dos pescadores”, como se a Medida Provisória representasse uma ameaça direta a essa categoria. O problema é que, até agora, a parlamentar não apresentou nenhum projeto de lei ou iniciativa concreta que beneficie os pescadores sergipanos.

A justificativa soa como uma desculpa ensaiada, um argumento conveniente para encobrir um voto que favorece setores poderosos e vai na contramão dos interesses populares.

Em quase dois anos de mandato, Yandra Moura se destacou por propor leis de alcance restrito, focadas em temas pontuais como saúde específica, inclusão e datas comemorativas. Não há, no entanto, nenhum registro de projeto voltado ao fortalecimento da pesca artesanal, à melhoria das condições de trabalho dos pescadores ou à ampliação das políticas de crédito e assistência ao setor.

Mesmo em Sergipe, estado de forte tradição pesqueira e de comunidades que vivem do mar e dos rios, a deputada não promoveu audiências, encontros ou frentes parlamentares sobre o tema. Mas, na hora de votar uma medida fiscal, usou a categoria como escudo político.

A contradição é evidente. Quem realmente defende os pescadores atua com políticas públicas e propostas estruturais, não com frases de efeito em redes sociais.

A postura de Yandra Moura não surge do nada. Ela segue o caminho de um sobrenome político que já carrega desgaste. Seu pai, André Moura, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 8 anos e 3 meses de prisão por desvio e apropriação de recursos públicos.

A velha política sergipana, baseada em influência, discurso populista e promessas vagas, parece encontrar continuidade na atuação da filha. A diferença é que, agora, o cenário político exige mais transparência e coerência. A população está informada, questiona e cobra.

Quando uma deputada tenta se apropriar de uma categoria tradicional e sofrida como a dos pescadores apenas para justificar um voto impopular, o contraste entre palavras e ações se torna gritante.

Ao votar pela retirada da MP 1303, Yandra Moura ajudou a enterrar uma medida que poderia gerar arrecadação extra sem pesar sobre os mais pobres. Bancos, grandes apostas e fortunas permaneceram intocáveis, enquanto o governo perdeu uma fonte de recursos que poderia financiar políticas públicas, inclusive programas de apoio à pesca.

Na prática, o voto que ela disse ter dado “em defesa dos pescadores” pode ter contribuído para tirar dinheiro justamente de áreas sociais que poderiam beneficiá-los.

Política não se faz apenas com discurso. Se faz com coerência. E quando Yandra Moura tenta justificar um voto controverso com a defesa de uma categoria que nunca apareceu em sua pauta legislativa, ela reforça a imagem de uma parlamentar mais preocupada em preservar alianças e sobrenomes do que em representar o povo.

Yandra ainda tem tempo de mostrar que pode romper com o passado e trilhar um caminho diferente do pai. Mas, até agora, suas ações indicam o contrário: mesmos métodos, mesmos interesses, mesmo roteiro.

[*] Ativista social e defensora dos direitos humanos

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