Opinião – Alessandro trabalha, André Davi performa: a política entre entrega e espetáculo

Artigo escrito pelo advogado Fausto Leite

Por Fausto Leite
Editor do site Fausto Leite Porta de Notícias

Tem político que gosta de trabalhar e tem político que gosta de aparecer. E quando os dois se encontram no mesmo ambiente, o resultado é esse pequeno espetáculo que Sergipe assistiu. O senador Alessandro Vieira, com aquele jeito de quem prefere planilha a palanque, soltou uma daquelas falas que parecem tranquilas, mas vêm carregadas de indireta com endereço certo. Disse, sem levantar a voz, que não está entrando em grupo nenhum e que “essa vontade de aparecer atrapalha mais do que ajuda”. Tradução livre: tem gente confundindo política com reality show.

E aí entra o delegado André Davi, que resolveu tratar política como se fosse Fla Flu, segunda Alessandro Vieira. Aquela lógica simples, quase infantil, de ou está comigo ou está contra mim. Chegou ao ponto de dizer que se Alessandro entrasse no grupo, ele sairia. Uma espécie de ultimato que mais parece birra de condomínio do que posicionamento político. E aí Alessandro, com a calma de quem já viu esse filme, respondeu no estilo dele. Sem grito, sem espuma, mas com precisão cirúrgica.

“Não tem essa de agrupamento”, disse o senador. E completou, com aquele toque de ironia elegante, que algumas pessoas têm uma visão “tosca da política”. Quando um delegado chama algo de tosco, normalmente é porque já viu coisa pior. E nesse caso, viu mesmo. Porque transformar política pública em disputa de vaidade é exatamente o tipo de erro que trava cidade, trava Estado e só alimenta ego.

Enquanto um fala em sair de grupo, o outro fala em entregar scanner 3D para perícia da PRF. Enquanto um cria polêmica, o outro manda recurso para segurança pública estadual e municipal. E aí fica difícil não comparar. De um lado, o delegado que virou senador e continua operando com lógica técnica, entregando resultado e dialogando com todo mundo. Do outro, o delegado que parece mais interessado em criar tensão do que em resolver problema.

E Alessandro ainda fez questão de deixar claro algo que, para muita gente, é revolucionário: política não precisa ser torcida organizada. Ele trabalha com mais de 30 prefeitos, de todos os lados, sem esse drama de “é meu grupo ou nada”. É quase um escândalo em tempos de polarização. Trabalhar com todos? Entregar resultado independentemente de bandeira? Para alguns, isso é maturidade. Para outros, é incompreensível.

No fim, o que fica é o contraste. Alessandro joga no modo entrega. André Davi, pelo visto, ainda está no modo palco. Um fala de projeto, recurso, equipamento, resultado. O outro fala de sair, entrar, marcar posição. E aí o eleitor olha e decide: quer política que resolve ou política que rende manchete? Porque barulho até chama atenção… mas é o resultado que muda a vida de verdade.

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